quarta-feira, 4 de março de 2015

A LEITURA E A PREGAÇÃO DA PALAVRA NA TRADIÇÃO REFORMADA

A LEITURA E A PREGAÇÃO DA PALAVRA NA TRADIÇÃO REFORMADA

Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

            Um escritor contemporâneo diz que a “marca do culto reformado é  sua saturação das Escrituras”.[1] Ou seja, o Culto presbiteriano é eivado das Escrituras. A “adoração não deve somente ser governada pela Palavra, ela tem de estar saturada da Palavra”. [2] Isto nos leva para duas ideias importantes sobre a presença da Palavra de Deus no culto: 1) Proclamação Anagnóstica; 2) Anúncio kerygmático.

I – A PROCLAMAÇÃO ANAGNÓSTICA:


            A leitura da palavra é conhecida como proclamação anagnóstica.  O que isto significa? A palavra “anagnóstica” deriva do verbo grego “anagno,skw”[anagnoskô]  que significa “eu leio em voz alta”. Refere-se à leitura litúrgica na igreja como um ato fundamental do culto cristão. È claro que está prática a igreja cristã herdou do judaísmo conformo nos informa Lucas 4.16: “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.”
            Na passagem citada podemos notar a herança da sinagoga, no que respeita à proclamação anagnóstica, para a igreja cristã primitiva. Essa prática “encontramos em São Paulo a exortação a que se leiam suas cartas quando das assembléias litúrgicas”[3]. Conforme podemos comprovar na passagem de Colossenses 4.16: “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós.”
            a) Lectio Continua: a pergunta que tipo de leitura deve ser lida? A primeira proposta, que tem o uso mais histórico, é a leitura continua que consiste na leitura de um livro completo das Escrituras no decorrer das celebrações litúrgicas.
            b) Lectio Selecta: consiste na seleção de passagens que escolhemos para a leitura durante o culto – isto é mais novo, e tem uma função sistemática, geralmente ligada ao tipo de pregação quer será ministrada.
            c) Quem deve ler as Escrituras na liturgia?  O nosso Catecismo Maior de Westminster nos oferece uma resposta:
156. A Palavra de Deus deve ser lida por todos?
Resposta: Embora não seja permitido a todos lerem a Palavra publicamente à congregação, contudo os homens de todas as condições têm obrigação de lê-la em particular para si mesmos e com as suas famílias; e para este fim as Santas Escrituras devem ser traduzidas das línguas originais para as línguas vulgares.

            A posição reformada que nem todos devem ler as sagradas Escrituras publicamente[4]. Isso nos leva para aquela ideia da leitura responsiva que estamos tão acostumados em nossas igrejas, é bom que saibamos que está uma prática relativamente nova e não fazia parte da tradição presbiteriana histórica.
            Em seu comentário ao Cartecismo Maior o Dr. Vos declara o seguinte:
Ler a Escritura “em público para a congregação” faz parte da condução da adoração pública de Deus e deve, portanto, ser feita apenas pelos que foram devidamente chamados para este ofício na igreja. É claro que na falta de um ministro ordenado ou licenciado os presbíteros da igreja podem indicar alguém apropriadamente para ler as Escrituras e conduzir uma reunião de oração ou reunião comunitária. O que catecismo nega é que qualquer crente em particular possa legitimamente tomar para si a condução do culto público sem que para isso seja indicado por aqueles cujo ofício é dirigir a casa de Deus.[5]

II  – ANÚNCIO KERYGMÁTICO.          

            A palavra de Deus se faz presente no culto público também por meio de sua proclamação audível. Chamamos de proclamação catequética ou anúncio kerygmático – a pregação da palavra em si.
            Não podemos falar sobre este assunto sem entendermos como a História da Igreja o encarou, ou seja, como a Igreja viu a questão da pregação fiel da palavra? No texto que lemos em  1ª Coríntios 1.18-25 Paulo valorizava a pregação oferecendo conotações dramáticas. O que é a pregação? Stott nos diz que é “a ênfase exclusiva do cristianismo” [6].
            Por onde começar a nossa peregrinação histórica da pregação? Dargan nos indica que tal procura deve ser vista no próprio cristo, pois, o “Fundador do cristianismo, pessoalmente, foi o primeiro dos seus pregadores...” [7] os evangelhos apresentam cristo como indo e “proclamando as boas-novas de Deus” (Mc. 1.14; 1.39; Mt.4.17; 4.23; 9.35).
            Somos informados pelas Escrituras que os apóstolos davam prioridade à pregação da Palavra em Atos 6.4.
            Mas, surge-nos uma questão quem deve pregar a Palavra de Deus  publicamente à congregação? O Catecismo Maior apresenta-nos uma resposta:
PERGUNTA 158: Por quem deve ser pregada a Palavra de Deus?
RESPOSTA: A Palavra de Deus deve ser pregada somente pelos que foram suficientemente dotados e devidamente aprovados e chamados para tal ofício. O Dr. Vos comentando a pergunta 158 do Catecismo Maior de Westminster lembra-nos que:
Quem não for ministro ordenado ou licenciado pode testemunhar de Cristo em particular ou em público, conforme a oportunidade o permita, mas a pregação pública oficial da Palavra na Igreja deve ser feita apenas por aqueles devidamente separados para esta obra. Claro está que a pregação da Palavra é uma obra de importância muito grande. São necessárias as qualificações apropriadas para que seja feita de maneira adequada. Há qualificações espirituais, intelectuais e educacionais sobre as quais se deve insistir para que a igreja tenha um ministério adequado. [8]

David Martyn Lloyd-Jones nos lembra algo interessante sobre este assunto:
[...] Quem deve realizar a Pregação? O primeiro princípio que gostaria de afirmar é que nem todos os crentes são destinados  a fazer isso, nem todos os homens crentes devem pregar, e de maneira alguma as mulheres! Noutras palavras, precisamos considerar o que se chama ‘pregação leiga’. Isto já vem sendo praticado de modo bastante comum há cem anos ou mais. Antes, era uma prática comparativamente rara, mas hoje é muito comum. Seria interessante examinamos a história dessa prática, mas o tempo impede de fazê-lo. Novamente, o mais interessante a ser observado é que esta mudança resultou de causas teológicas. Foi a mudança na teologia do século passado, de uma atitude reformada e calvinista para uma postura essencialmente arminiana, que provocou o aumento da pregação de leigos. A explicação dessa causa e efeito é que, em última análise, o arminianismo é não-teológico. Eis porque a maioria das denominações evangélicas  da atualidade são igualmente não-teológicas. Sendo esse o caso, não deve nos surpreender o fato de que predominem em nossos dias o ponto de vista de que a pregação está aberta a todo homem e posteriormente, a qualquer mulher. Minha asserção é que esta é uma perspectiva antibíblica sobre a pregação.[9] 
            O uso do verbo relacionado a esta função de arauto “kerussw”- keryssô – e na leitura que fazemos do Novo Testamento nós percebemos o seguinte que o uso deste verbo se aplica:
a) Apenas a Cristo ou a alguém comissionado por Deus para o ministério da pregação ( Romanos 10.15; pois, somente estes têm a autoridade divina de se apresentar publicamente para falar em nome de Deus.
b) Nos Evangelhos apenas João Batista é assim apresentado como proclamador enviado da parte de Deus(Mt 3.1: Mc. 1.4; Lc.3.3) – sendo ele um profeta do antigo pacto.
c) Jesus é apresentado como o proclamador supremo (Mt.4.17,23;9.35;11.1; Mc1.14,38,39; Lucas 4.18,19,44.8.1)
d) Os apóstolos comissionados por Jesus  (Mt.10.7,27; Mc 3.14; 6.12; 16.15,20; Lc.9.2; 12.13.).



* O autor é Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia Reformada pelo Seminário Presbiteriano do Norte  (SPN) em Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Grego e Hebraico) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) em Recife - PE. É o fundador do Centro de Estudos Presbiteriano. Atualmente é pastor da Primeira Igreja Piripiri – PI. É casado com Géssica Araújo Soares Nascimento de França. E possui um filho Chamado de Lucas Luis Nascimento de França Contatos: E-mail: jrcalvino9@hotmail.com / jrcalvino9@gmail.com
Fones:  (89) 9930-6717 [número Tim]
[1] HYDE, Daniel R. O que é um Culto Reformado? Tradução:Josafá  Vaconcelos. Recife: Editora Os puritanos / Clire, 2012 , p.15
[2] JOHNSON, Terry L. Adoração Reformada  -  A adoração que é de Acordo com as Escrituras. Tradução: Josafá Vaconcelos. Recife: Editora os Puritanos, 2001, p.40.
[3] ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 129.

[4] O entendimento é que apenas o Ministro da Palavra [Presbítero Docente = Pastor] é quem deve fazer a leitura Pública à congregação, pois, a leitura da palavra faz parte do ministério pastoral.
[5] VOS, Johannes Geerhardus. O Catecismo Maior de Westminster Comentado. Tradução: Marcos Vasconcelos. Recife: Os Puritanos / Clire, 2007, p.499.
[6] STOTT, John. Eu Creio na Pregação, Tradução: Gordon Chown São Paulo: Vida, 2003, p.15
[7] DARGAN, E.C. History of Preaching, p.7, vol. II In: STOTT, John. Eu Creio na Pregação, São Paulo: Vida, 2003, p.17.
[8] VOS, Johannes Geerhardus. Catecismo Maior Comentado. Tradução: Marcos Vasconcelos. Recife: Editora Os Puritanos / Clire, 2007, p.508.
[9]  LLOYD-JONES, David Martyn.  Pregação e Pregadores. Tradução: João Bentes Marques. São Paulo: Editora Fiel,  2008, p.97-98

segunda-feira, 2 de março de 2015

O HOMEM COMO PROVEDOR DO LAR

A PROVISÃO CARACTERÍSTICA DE UM LÍDER DO LAR
1ª Timóteo 5.8.
Pr. João Ricardo Ferreira de França*
Introdução:
            Na liderança familiar cristã é necessário compreendermos as características que os homens cristãos devem demonstrar neste mundo, vimos que uma das características é certamente o de ser protetor do seu lar, da sua família.
            Alinhado a esta qualidade o homem cristão deve ser antes de tudo também o provedor do seu lar. Essa característica é uma das quais todos nós temos concordância, todavia, este conceito está dia-a-dia diluindo-se pela perspectiva feminista – as mulheres hoje procuram trabalhar fora para sustentar o lar; e isto, deve-se em grande parte por causa de homens que não assumem a sua responsabilidade de sustentar e prover o lar que Deus lhe deu para chefiar.
            E a grande questão que devemos levantar nesta hora, neste momento é qual o tipo de homem Deus chama para constituir e liderar família? Que tipo de homem a minha filha deve se relacionar? Que tipo de homem o meu filho deve ser?
I – ELE DEVE SER UM HOMEM QUE AME O TRABALHO.
            A verdadeira masculinidade apresentada na Palavra de Deus é que o homem cristão deve ser alguém com disponibilidade para trabalhar. Isso não quer dizer que o homem deve ser viciado no trabalho. Nem que está pronto para casar só quando tiver um emprego que ganhe rios de dinheiro, mas que ele deve ser  alguém com a disposição diligente para o trabalho.
            A nossa sociedade diz que os nossos jovens devem se casar quando adquirirem uma condição social financeira que chegue perto da riqueza. Todavia a Palavra de Deus nos ensina algo interessante sobre isso:
10 e, na verdade, estais praticando isso mesmo para com todos os irmãos em toda a Macedônia. Contudo, vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais
 11 e a diligenciardes por viver tranqüilamente, cuidar do que é vosso e trabalhar com as próprias mãos, como vos ordenamos;
 12 de modo que vos porteis com dignidade para com os de fora e de nada venhais a precisar.
 ( 1ª Tessalonicenses  4:10-12 ARA)
            Notamos que a perspectiva cristã, segundo o apóstolo Paulo é que o homem deve se concentrar no trabalho, e não no acumulo de renda advindo disso! Paulo mostra que os cristãos devem fazer com seus próprios esforços com suas necessidades sejam supridas sem que haja intervenção daqueles que não conhecem a Cristo para socorrê-los.
            Ser provedor não diz respeito a quantidade de dinheiro que se tem na conta bancária, mas diz respeito a suprir as necessidades da família; mesmo, que seja um dinheiro pouco, um salário mínimo, ou mesmo a condição financeira que se adquiri no dia – a riqueza as pressas não faz bem a homem algum já dizia o sábio: “Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento. (Provérbis 13:11 ARA)”
II – ELE DEVE UMA ÉTICA PARA O TRABALHO.
            Uma realidade que precisamos trazer para os homens cristãos, é que a Bíblia não apóia os homens preguiçosos! Porque tudo o que fazemos no trabalho o fazemos para o Senhor Jesus Cristo. Paulo nos ensina isso em Colossenses 3.23: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, (Col 3:23 ARA)”
            A ética cristã do trabalho é que o homem esteja sempre disposto a empregar esforço no seu trabalho para suprir as necessidades de sua casa:
6 Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio.
 7 Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante,
 8 no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento.
 9 Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?
 10 Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso,
 11 assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
 (Provérbios 6:6-11 ARA)
            Além dos preguiçosos existem os que são sonhadores, ou seja, homens que falam e nunca agem como homens; falam em construir, em ter , em possuir, mas não se mobilizam para realizar,  a  palavra de Deus nos alerta sobre este tipo de homem “Em todo trabalho há proveito; meras palavras, porém, levam à penúria. (Pro 14:23 ARA)”
            A Escritura nos ensina que não devemos oferecer apoio a este tipo de homem, pois, eles  não tem de fato cumprido a liderança e a masculinidade bíblica que a Palavra de Deus nos ensina. Se há homens que por preguiça dependem dos outros para sustentar suas famílias isso é uma perversão da masculinidade bíblica, por isso, devemos ser duros com quer que seja, vejamos mais uma vez o que diz a palavra do Senhor:
6 Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes;
 7 pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós,
 8 nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós;
 9 não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes.
 10 Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma.
 11 Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia.
 12 A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão.
 13 E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.
(2ª Tessalonicenses 3:6-14 ARA)

            Paulo mostra-nos que aqueles que vivem “desordenadamente” (ociosoos) ou aqueles que vivem como preguiçosos (VS.6) que eles devem ser tratados com todo o rigor. Como pais devemos proteger as nossas filhas de homens deste tipo, e como pais, devemos lutar para que os nossos filhos nãos sucumbam a este tipo de comportamento ímpio e blasfemo.
            Paulo neste texto usa como exemplo ele mesmo e os outros apóstolos, pois, quando a igreja se via em dificuldades eles mesmos serviam de exemplos como trabalhadores para não serem pesados à igreja de Deus (VS.8)
            E, por fim, Paulo condena o assistencialismo, tão em voga em nosso país. Ao declarar no verso 10 que caso alguém seja preguiçoso, que não quer trabalhar também não coma!
            Aqui o apóstolo insiste que a igreja não deve tolerar os preguiçosos, os preguiçosos levam os recursos da igreja, da família e da sociedade. Paulo prontamente nos ensina que devemos ser intolerantes com este tipo de pessoa, e assim, nos ensina que o líder cristão no lar é aquele que demonstra a  sua masculinidade pela força do trabalho.



* O autor é Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Atualmente é pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Piripiri – Piauí.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, A CERTEZA CEGA


LIVRE-ARBÍTRIO, A CERTEZA É CEGA
Adilson Gomes*

Há, de fato, exercício de algum tipo de livre arbítrio por um homem ao fazer suas escolhas? Saberão plenamente as consequências delas? A ideia de livre arbítrio humano, ainda que se apontem versos em defesa, não tem calço nas Escrituras Sagradas como doutrina. A queda do homem pelo primeiro pecado retirou a comunhão com o Altíssimo.
- “E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.” (Colossenses cap 1)
            Onde estaria a graça de Deus se os homens e mulheres se voltassem a Deus por caminho estranho a Cristo? Os cristãos teriam ido ao Salvador por um entendimento intelectual apenas? Por algum tipo de boa obra que houvessem praticado? Há uma graça preveniente que liberte o homem da prisão do pecado antes da conversão? A Escritura trata de graça prévia? Se estávamos mortos... “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos” (Efésios cap 2). Graça preveniente não passa de ensino religioso, carente de fundamento na Escritura.
            Como um miserável pecador, em absoluta carência da graça, pode ir à Verdade sem ser antes vivificado por Deus? Pode um pecador voltar-se ao Senhor da Salvação sem que antes tenha sido convencido pelo Santo Espírito? Pode um morto abrir a porta de casa ou do coração para receber algo de bom, para receber Aquele que nos convidou para cearmos com Ele (Ap 3:20)? O texto de Efésios não fala de morte figurada “mortos em nossos delitos”, mas literal. Quando olhamos para um padre ou pastor que cultue bonecos de pedra ou de madeira, arcas, mantos sagrados, fogueiras santas, templos, em magníficos santuários e as multidões que os seguem, olhamos para pessoas caída na idolatria. Há mortos andando por aí, literalmente mortos. Mortos não escolhem nem as vestes que usam. A escolha da cor de uma gravata não representa liberdade. É pura fraqueza religiosa ensinar-se isso como exemplo de livre arbítrio.
            Os cristãos somos salvos pela graça de Deus por meio da fé (Ef 2:8). Pela Palavra, reconhecemos que até a fé, meio pelo qual fomos salvos, seja dom de Deus. A fé que temos não é de nossa autoria, nem mesmo o resultado dessa fé veio de uma capacitação simplesmente intelectual, de uma liberdade de decisão, pois não enxergamos o que escolhemos – está escrito: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” (Hebreus cap 11). Por isso, sem o socorro do Senhor, não conseguiríamos andar: “corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz” (Hebreus cap 12).
            Ele, o Senhor, é o autor e consumador da fé de todos os crentes. Por isso essa fé é perfeita (não falo de entendimento – o entendimento é diverso). A fé não é resultante de um suposto livre arbítrio humano, tão cheio de mal-entendidos. Os crentes, mesmo os remonstrantes, reconhecem-se pecadores carentes da graça, voltam-se para o Cristo crucificado e ressurreto, reconhecem que, por Ele, fomos tornados propícios ao Altíssimo, ao Soberano Deus: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (I João 4:10)
            Devemos aqui opor ao que o mundo apresenta como fé. Vimos, no mês passado, pagãos idólatras do Rio de Janeiro cultuando um boneco padroeiro. Isso não é resultado de uma fé diferente, mas fruto da ausência de fé, é fruto da carne – “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, [...] idolatria, feitiçarias, [...] e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” (Gálatas cap 5).
            Pessoas que hoje estão na idolatria católica ou na idolatria dos inúmeros falsos evangelhos, ou na feitiçaria das macumbas de passes, ou nas consultas aos espíritos celestiais, dos astros, das cartas, não têm o Espírito de Verdade, mas jazem no espírito do erro. Isso é livre arbítrio? Eles conseguem enxergar aquilo que escolhem ou o resultado dessa escolha para, de fato, exercerem uma liberdade? Soberbo o que pensa ter liberdade de escolha. Ninguém que não conheça a Verdade (João 8:32) é livre. Conhecer não é apenas a posse de uma informação. Lembremos do Jesus disse a alguns judeus:
- “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (João cap 8:44 – ARA)
Primeira observação: Jesus não teve constrangimento em dizer que alguns são filhos do diabo, são assassinos e seguem a mentira – sendo seguidores da mentira, não são livres.
Segunda observação: o diabo tinha a informação de quem era a Verdade, mas rebelou-se. Tinha a informação do que poderia acontecer com quem se rebelasse contra a autoridade, mas nunca creu, nunca se firmou na Verdade.
Terceira observação: semelhantemente, homens são informados sobre essa Verdade hoje através da pregação do Evangelho, mas não creem. Seguem suas dissoluções, sendo incapazes de voltarem-se a Deus.
Quarta observação: os seguidores da mentira não têm liberdade para escolher o eterno castigo. Por que eterno castigo? O pecado, sendo eterno, sem redenção, tem como juízo justo um castigo eterno. Rejeitam o Criador, o Advogado, o Juiz por suas certezas cegas. É justo, portanto, que o castigo seja eterno.
Os crentes somente seguem a Verdade por absoluta graça de Deus, por haverem sido selados com o Espírito da verdade “que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” (João 14:17 – ARA)
Não é evangélica a pregação que diga haver no homem algum livre arbítrio para escolher Deus ou o espírito do erro. Infelizmente, essa teologia é considerada uma heresia em grande parte do ambiente evangélico, pois a teologia caótica romana, pelo pensamento semipelagiano, contaminou há séculos grupos cristãos e é hoje predominante.
Há de fato possibilidade de o homem contribuir com a própria salvação? A fé seria um mérito humano ou dom exclusivamente de Deus (Ef 2:8)? Se há livre arbítrio, por que é necessário fé como meio para ser salvo? A fé foi concedida a toda humanidade?
Mesmo um arminiano muito hábil em manejar a Escritura com passagens tal "Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR."  (Josué 24 : 15 – ARA), não podem deixar de entender que os amorreus não eram livres, eles desconheciam a Verdade (João 8:32). Quem está nas trevas não é livre, ainda que a luz lhes seja apresentada: “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (João 3:19 – ARA)
Há algum crente que seja capaz de dizer que um caótico aos pés do boneco da virgem aparecida, ou outro caótico que lance flores para uma rainha do mar, ou outro caótico que adore uma falsa arca no falso templo de salomão faça uma escolha livre? Eles sabem o que fazem?
Há livre arbítrio que extermine a inclinação para o pecado que existe em todo homem, inclusive nos crentes? Livre arbítrio não representa apenas a escolha de ações, muitas até com sofrimento, o próprio pensamento é contaminado, não sendo livre. Vi um homem “liberto” do álcool, no sofrimento de uma segunda queda mesmo sendo crente, levantou-se, caminha com dificuldade sem beber. Nossas escolhas não são livres, mas respondemos por elas. Busquemos o socorro, o Advogado: Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda.” (Salmos 121 – ARA).
            Não fosse o socorro recebido estaria perdido, mas graças a Deus: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos cap 8 – ARC)
Graça e paz!
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O autor é Membro da Igreja Presbiteriana Piripiri - PI. ´É formado em Letras e teólogo Autodidata.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A GLÓRIA DE DEUS NO SOFRIMENTO HUMANO

Áudio do sermão:

A GLÓRIA DE DEUS NO SOFRIMENTO HUMANO
João 9.1-12,35-41 ARA
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
INTRODUÇÃO:
            Às vezes as calamidades se abatem em nossa vida. Ficamos olhando e vendo  tudo o que ocorre ao nosso redor, e queremos encontrar um culpado. Alguém que seja  tido como responsável por tudo que sofremos! Esse texto nos mostra um pouco disso.  Todavia, antes de tudo precisamos considerar que o sofrimento pode ser visto como uma forma pela qual Deus pode ser glorificado, vejamos:
I – O SOFRIMENTO NEM SEMPRE É RESULTADO DE UM PECADO ESPECÍFICO. (vs.1-3a)
 “Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos  perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?  Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais...”(João 9.1-3A)
            A primeira verdade que nós aprendemos no nosso texto é que nem sempre o sofrimento é resultado de algum pecado específico; muitas pessoas pensam que o pecado que sofrem é por causa de algum pecado específico, ou mesmo, é alguma maldição hereditária!
 Há pessoas que ensinam que o sofrimento que os filhos passam é fruto de seu  pecado. E parece-nos que os discípulos de Jesus pensavam assim. Pensavam que o  sofrimento daquele cego foi por causa de algum pecado de seus pais, ou mesmo do  próprio cego – isso nós chamamos de teologia da retribuição. A procura por um  responsável pelo sofrimento é a sina do homem ao longo de toda história da raça  humana. Os amigos de Jó queriam encontrar uma explicação para o seu sofrimento, e  sugeriram que o motivo de tanto sofrimento na vida de Jó era porque ele havia pecado.
            Aqui neste texto Jesus responde a pergunta dos discípulos de uma forma  inusitada: “Nem ele pecou, nem seus pais...”. É claro que Jesus não está negando a  doutrina da depravação total, ou do pecado original do gênero humano, uma vez que é  ensino cristalino do evangelho que os homens são escravos do pecado (João 8.32-34); que estão mortos em seus “delitos e pecados” (Efésios 2.1). Então, o que Cristo está ensinando aqui? Está nos ensinando que não devemos achar ou culpar alguém por causa de nosso sofrimento.
 O sofrimento nem sempre é por causa de algum pecado especifico; embora, todo o sofrimento existente seja consequência daquela primeira transgressão de Adão [ Romanos 5.12-14], não figura aqui, neste texto, a ideia de que o sofrimento deste cego é fruto de algum pecado específico.
 II – O SOFRIMENTO TEM COMO FINALIDADE A GLÓRIA DE DEUS. (vs.3b)
           
            “[...] mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.” (João 9.3B ARA).
            É muito difícil olhar para o sofrimento sob esta perspectiva. Como assim? O
sofrimento glorifica a Deus? Sim. Tudo o que somos e o que passamos nesta vida visa a glória de Deus. Alguns crentes do passado perguntaram: “Qual o fim [ propósito]  supremo e principal do homem?” – em outras palavras para quê o homem foi trazido à existência? – e a resposta que deram foi a seguinte: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus; e gozá-lo plena e eternamente”.
            Jesus aqui nos oferece uma alternativa para o nosso sofrimento. Antes de nos concentrarmos em nossa dor, em nosso problema, em nossa dificuldade, deveríamos antes de tudo olhar isso como uma oportunidade de glorificar a Deus pelo que ele tem feito por nós!
            É claro que as “as obras de Deus” neste texto tem o sentido da ação de Deus e  de como ele é glorificado no seu modo de agir na vida deste cego. Aquele rapaz veio ao mundo com um propósito específico – para que as obras de Deus se manifestem nele. Para que Deus fosse glorificado por meio de sua vida.
III – ALIVIAR O SOFRIMENTO DO OUTRO É UMA FORMA DE  GLORIFICAR A DEUS. (vs.4-7)
            “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite  vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.  Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego,  dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se  e voltou vendo.” (João 9.4-7 ARA)
            O desejo para aliviar o sofrimento do cego e resolver o problema foi latente em
            Cristo. Ele compara sua obra de compaixão a um dia brilhante – todos nós trabalhamos  de dia [ um horário adequado para o trabalho ]. “É necessário que façamos as obras  daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.”[vs 4].
A urgência da obra de Deus é presente aqui. Cristo veio fazer a vontade de Deus  neste mundo e naquele momento Deus desejava restaurar a vida daquele cego de  nascença! O sofrimento alheio é uma forma de demonstrarmos compaixão e misericórdia pela dor que o outro sofre; por isso, existe essa urgência de Cristo.  O senhor Jesus sabe que aquele garoto está em profundas trevas, em profunda escuridão, então, o redentor diz: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.”  (João 9.5 ARA).
Ele veio para abrir os olhos dos cegos! O mundo vive em uma cegueira  espiritual e precisa da compaixão dos homens que conhecem redentor, que tenham  coragem de apresentar a luz do mundo – que sem dúvida é Cristo!
            Para aliviar o sofrimento humano não basta apenas ter compaixão. Não basta  sentir a dor, não bastar sentir dentro da alma e ficar calado. É necessário agir. Foi o que  Cristo fez, ele se moveu em direção àquele que sofre. “Dito isso, cuspiu na terra e,  tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego, dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé  (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.”  (João 9.6-7 ARA)
            Aqui temos um emblema de alguém que se compadece do sofrimento humano. De alguém que se move para aliviar a dor dos que sofrem. Cristo milagrosamente cura este jovem. Fazendo lodo com a saliva e aplicando aos olhos do cego, e posteriormente,  manda-o a um tanque chamado de Siloé – que é muito interessante, por meio daquela ação o senhor Jesus estava dizendo que ele era o enviando. O que veio para aliviar a dor dos que sofrem.
            É nosso dever como cristãos aliviar o sofrimento dos que passam por dores, dores das perdas, da morte, do divórcio, das drogas e muitos outros sofrimentos, o que  se precisa é de um coração marcado pela compaixão pulsando no coração dos que se professam ser seguidores de Cristo.
IV – QUANDO O SOFRIMENTO É CESSADO PROVOCAM-SE DIVERSAS REAÇÕES (Vs. 9-12)
            Quando o sofrimento é cessado gera muitas reações, umas positivas outras  negativas, mas sempre há alguma reação. Quais reações pode gerar a restauração de uma pessoa:
            1. Surpresa
            “Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam:  Não é este o que estava assentado pedindo esmolas? Uns diziam: É ele. Outros: Não, mas se parece com ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.” (João 9.8-9 ARA).
            A restauração de alguém por vezes é vista com surpresa. Nossa! Fulano está mudado, vejam como ele está diferente, nem parece àquela pessoa cabisbaixa de outro dia, mas agora tá super diferente. A surpresa é tanta que a falta de certeza quer dominar o coração. O cego reafirma e diz sim “sou eu mesmo” que fui restaurado.
            2. Dúvida:
            “Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos? Respondeu ele: O homem  chamado Jesus fez lodo, untou-me os olhos e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te.  Então, fui, lavei-me e estou vendo. Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.” (João 9.10-12 ARA)
            Mas também surgem dúvidas. Será mesmo? Será que houve mudança mesmo? Como ocorreu com o cego pedinte ocorre conosco. Quando somos restaurados, quando o nosso sofrimento cessa pessoas duvidam que tenha sido uma mudança radical proporcionada pelo Senhor Jesus. Precisamos estar prontos para este tipo de reação.
 V – O SOFRIMENTO CESSADO DEVE NOS LEVAR A CRISTO. (VS.35-41)
            Este é o último aspecto a ser considerado em nosso texto. Os fariseus por não compreenderem a ação graciosa de Deus na vida do garoto o excomungaram do  sinédrio. Cristo procura-o; e confronta-o:  Crês tu no Filho do Homem? Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele  creia? E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo. Então, afirmou ele:  Creio, Senhor; e o adorou.(vs.35-38)
           
            Precisamos confrontar os homens para que eles refletiam sobre quem aquele que pode restaurá-los, ou mesmo aquele que os restaurou! Aquele Jovem havia sido curado por Cristo, mas precisava crer nele. Aqui temos algo importante: A cura, a restauração não significam nada se nós não corrermos para Cristo – a nossa luz, o nosso guia, o nosso redentor. Uma vez reconhecendo a glória de Cristo precisamos nos render e adorá-lo! Os fariseus ignorando esta verdade são condenados por não enxergarem Cristo como redentor de suas vidas. “Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos. Alguns dentre os  fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos? Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado.” (vs. 9.39-41 ).
            CONCLUSÃO:
            1. O sofrimento nem sempre é fruto de um pecado específico, muitas vezes sofremos  porque transgredimos a lei de Deus, e isto é um fato, mas às vezes o nosso sofrimento deve ser para cumprir um propósito maior.
            2. Devemos aprender a glorificar a Deus no meio do sofrimento e das tribulações consiste em uma grande oportunidade de aprender mais de Deus, e assim, glorificá-lo.
            3. Devemos ser agentes da graça para aqueles que sofrem, estender a mão, ajudar e  socorrer quando estiver em nosso alcance é nosso dever.

            4. O sofrimento é uma forma pela qual podemos nos aproximar do Senhor Jesus Cristo,  crendo nele, tendo-o como único e suficiente salvador, sabendo que toda a restauração  de nossa vida só é possível por causa dele. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

AGRADECENDO PELA IGREJA DE DEUS: UMA EXPOSIÇÃO DE 1ª CORÍNTOS 1.4-9

Série de Exposições Bíblicas:
Livro Estudado: 1ª Coríntios
Texto: 1ª Coríntios 1.4-9.
Tema: AGRADECENDO PELA IGREJA DE DEUS
Expositor: Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Texto:
4 Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus; 5 porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6 assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, 7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo.  9  Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Introdução:
            O apóstolo Paulo após apresentar a sua autoridade apostólica na saudação aos Coríntios, ele agora procura mostrar e revelar o seu interesse espiritual pela vida daquela igreja; ele é um pastor preocupado pelo modo como a igreja tem caminhado. E desta forma quer revelar à sua igreja seu cuidado pastoral no tocante a cada um deles. E, ele o faz por meio de sua oração de gratidão conforme vemos neste trecho da carta, três ideias percebemos neste texto:
1. A Constância da Gratidão {vs.4}
2. O por quê da gratidão {Vs. 5-8a}
3. O propósito da gratidão {vs 8b-9}
Exposição:
I – A CONSTÂNCIA DAS AÇÕES DE GRAÇAS DE PAULO PELA IGREJA DE DEUS.
4 Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus;
            Paulo introduz esta nova seção usando um advérbio de tempo “sempre” [πάντοτε  - pantote] ao usar esta palavra o apóstolo revela que a sua oração de gratidão não estava presa há um tempo específico, mas há algo contínuo, algo constante, pois, ele constantemente agradecia a Deus pela existência da Igreja de Corinto. Isso revela-nos a constância que o santo apóstolo tinha em sua gratidão pela existência da Igreja localizada naquela região, naquela cidade.
            “dou graças a meu Deus a vosso respeito” – ele agora revela o objeto da sua constante prática de oração. Ele estava sempre “dando graças” a Deus a respeito da igreja. O verbo grego usado aqui é “Εὐχαριστῶ - eucharistô que significa reder graças, prestar culto de gratidão por meio da oração; ele ora, a Deus dizendo que estava feliz, que estava agradecido porque havia uma igreja na cidade de Corinto. Ele se dirige de modo particular aos membros daquela igreja ele assegura que sua atitude pastoral é colocar os joelhos em terra e agradecer a “meu Deus a vosso respeito” constantemente. Ele apresenta suas “ações de graças a Deus” em favor da igreja.
      A gratidão aqui é “a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus;” ou seja, Paulo contemplara a graça agindo no meio daquele povo, e assim dobrava seus joelhos agradecendo constantemente a Deus pela igreja. Calvino nos alerta dizendo que o termo graça conforme aparece em nosso texto “χάριτιchariti significa “toda espécie de bênçãos, as quais eles tinham obtido por meio do evangelho”; mas, também entendemos referir-se aquele favor imerecido de Deus destinado aos eleitos para a salvação. E a razão disto está no fato que esta graça nos é concedida em Cristo Jesus.
            Aprendemos aqui que não é o esforço dos homens que provocam a ação da graça; mas que a graça que nos outorgada em Cristo em nossa vida provoca a nossa resposta ao evangelho de Deus.
            Paulo agradece de forma constante a Deus  pela existência da igreja ali, pois, Deus revelou a sua graça redentora, salvadora e libertadora em Cristo Jesus aos homens indignos, incapazes e depravados.
II – O PORQUÊ DESSAS AÇÕES DE GRAÇAS  A DEUS PELA EXISTÊNCIA DA IGREJA.
            Após observarmos Paulo agradecendo a Deus pela existência daqueles irmãos, cabe-nos uma pergunta. Por que Paulo agradece constantemente a Deus por esta Igreja? E a resposta que encontramos está nos versos seguintes:
5 porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6 assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, 7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim...
            Paulo agora quer oferecer uma razão para tanta gratidão a Deus. E ele revela-nos de modo surpreendente. Ele faz sua ação de Graça Deus por quê?
1. A Igreja está Enriquecida em Cristo: Paulo observa a supremacia da riqueza de Cristo reinando na vida do povo do pacto. A igreja em Cristo recebeu uma grande herança. Ela foi enriquecida (ἐπλουτίσθητε - eploutistheté) nele.
2. Esta riqueza é evidente: A segunda realidade é que tal riqueza torna-se evidente sendo motivo de gratidão, pois, a igreja foi enriquecida:
2.1 – Foi enriquecida em “toda a palavra” - ἐν παντὶ λόγῳ {en panti logo}- ou seja, a igreja é rica na doutrina da palavra de Deus, ela tem a palavra de Deus plena a abundante no seu seio.
2.2 – Ela foi enriquecida em “todo o conhecimento” - πάσῃ γνώσει {pasê gnosei} – Tudo o que precisamos saber sobre a vida Crista, todo conhecimento e sabedoria que carecemos já o temos em Cristo Jesus, pois, fomos enriquecidos nele e por ele.
6 assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, 7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim...
            Tal riqueza da igreja se estende ao testemunho “de Cristo” que é confirmado no meio da igreja. O que isto quer dizer?  Que Deus selou a verdade do evangelho no meio da Igreja por meio da palavra e  do conhecimento para assim confirmá-la. Em outras palavras, a mensagem do Evangelho é sela e confirmada pelo testemunho vivo da igreja de Cristo.
            Uma vez que isso ocorre no seio da Igreja Paulo deseja que aquela comunidade não seja deficiente em relação a dom algum. “de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo”(Vs 7); e, assim a Igreja deve aprender a aguardar a revelação do senhor dela que é Jesus Cristo. Paulo ressalta que em sua gratidão ele tem a plena certeza que Cristo há de confirmar a perseverança da igreja “o qual também vos confirmará até ao fim”. A Perseverança dos santos não depende do esforço deles, mas de Cristo os confirmar em triunfo sempre.
            Isto nos leva para o nosso terceiro e último ponto a ser considerado. Qual é o propósito destas ações de graças de Paulo?
III – O PROPÓSITO DAS AÇÕES DE GRAÇAS DE PAULO
para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo.  9  Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
            Paulo agradece a Deus também com o propósito de que a igreja seja santa. A fim de  que ela se apresente sem mancha no encontro do grande dia do Senhor Jesus. A preocupação de Paulo é que esta igreja esteja “irrepreensível” diante de Cristo Jesus. O vocábulo grego empregado para “irrepreensíveis” { ἀνεγκλήτους - anenkletous}que significa inocente ou impecável.
            É desejo de Paulo que esta igreja seja santificada. Que ela perceba a necessidade que tem de ser santa, de viver a santidade prática de vida. Por isso, ele ora com esse desejo no coração. Qual o pastor não deseja isso para a sua igreja? Por isso Paulo assegura que as suas ações de graças dirigidas a Deus são eivadas deste desejo de santidade sobre a vida da igreja.
Ele reconhece que isso é possível na vida do povo do pacto, pois, assegura que a fidelidade de Deus é grande conforme vemos no verso seguinte: “9  Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.” Aqui Paulo diz que Deus tem chamado seu povo a viver uma comunhão com o senhor; logo, a santidade de vida é um imperativo à vida cristã; e todos os temores da morte e do fracasso logo se dissipam, pois, estamos inseridos, enxertados em Cristo para uma viva comunhão.
Conclusão: A oração de gratidão é algo que deve está na vida da Igreja de Cristo como um combustível essencial à vida cristã. É isto que aprendemos com a atitude de Paulo. Diante disso que verdades nós aprendemos deste texto e aplicamos a nossa vida?
1. A oração deve ser uma constante na vida da Igreja de Cristo Jesus: Paulo ele sempre orava a Deus, sempre intercedia a Deus; este é um exemplo que devemos tomar para nós. A oração deve ser a companheira constante do Cristão.
2. Devemos ter um coração agradecido a Deus pela Igreja que ele nos colocou para ouvir a sua palavra: Quantos de nós aqui temos realmente agradecido a Deus pela existência desta igreja, onde somos nutridos e alimentados pela Palavra de Deus; há muita ingratidão em nossas vidas, precisamos agradecer a Deus pela igreja que ele nos deu oportunidade de congregar e aprender de Sua Palavra.
3. Devemos ter um coração que deseja a vida de santidade: Muitos de nós nem sequer pensa em santidade prática, em obediência à palavra de Deus; é necessário que no fundo de nosso coração possamos colocar um desejo ardente pela prática de santidade.
4. Devemos compreender que temos comunhão com o Senhor: lembremos que a comunhão que temos com Cristo deveria nos libertar dos temores; olhe, você está em comunhão com Cristo Jesus, você pertence a Ele e jamais cairá de suas mãos, ele tem te sustentado com a sua graça. A comunhão que temos com ele nos faz encarar a dor e sofrimento, ainda que venhamos a dizer: está doendo, mas Cristo é meu tudo, e a minha riqueza e o que tenho de mais preciso e eu sou dele. Amém!