domingo, 28 de junho de 2015

Exposição de Atos 2.42-47

AS CARACTERÍSITICAS QUE UMA IGREJA VIVE A COMUNHÃO DO SANTOS.
ATOS 2.42-47.
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
            Às vezes achamos que viver a comunhão dos é um momento de lazer, na praia, em um jogo de futebol; uma pizzaria ou em qualquer lugar que haja uma aglomerado de gente com o intuito de se descontrair.
Elucidação:
            O livro de Atos dos Apóstolos narra os trinta anos da igreja após a ascensão de Jesus Cristo. Este livro é o segundo volume de Lucas, o mesmo autor do evangelho; conforme lemos:
Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar  2 até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. 3 A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. 4 E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes[1].
 (Atos 1:1-4 ARA)
Propósito:
            Sabemos que o propósito da obra Lucas-Atos é a catequização de uma personagem, pois, isso é expresso logo no início do livro de Atos dos Apóstolos. É um relato coordenado sobre a vida e ministério de Jesus Cristo na igreja e por meio dela; é uma narrativa de como a igreja vivia e praticava o evangelho.
            Quais as características ou marcas apontam para uma igreja que de fato vive a comunhão dos santos? Busquemos as resposta a esta pergunta a partir da análise do texto que temos diante de nós:

I – A PERSEVERANÇA (vs.42)
“E perseveravam... ” .
            Na língua grega o verbo “perseverar” conforme aparece aqui no texto “προσκαρτεροῦντες ”(proskarterountes) tem o sentido de “vencer uma dificuldade, manter-se em firme estado”. É um verbo em um tempo que indica uma ação passada com resultados permanentes.
            Esta perseverança era de duas naturezas:
1) Era Lata: envolvia a oposição do mundo à igreja.
 2) Era Estrita: envolvia um compromisso com a doutrina e com a freqüência as reuniões da igreja (vs.42,46): E perseveravam na doutrina ...Diariamente perseveravam unânimes no templo
 3) A perseverança era na doutrina apostólica: ou seja, não havia lugar para falsos ensino na igreja que era perseverante diante de Deus.
II – TEMOR (vs. 43)
Em cada alma havia temor;...”
            A palavra grega usada aqui é “φόβος ” (fobos) que é temor – aponta para a reverência, era uma igreja tinha uma profunda reverência ao ser de Deus. E por que temer a Deus?
a)      Pelo direito de Criação – Deus é criador de tudo o que há, ele é senhor sobre nós.
b)      Falta de retidão: há na vida nossa muita falta de santidade, e na igreja na adoração estamos sempre diante de Deus; Isaías 6 ilustra para nós este principio do temor da igreja.
III – FRATERNINDADE (vs.44-45)
Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
            Neste trecho temos duas atitudes que expressavam a fraternidade da igreja:
1)      Proximidade (vs.44):

 A igreja hoje quer viver a comunhão dos santos, mas nunca está junta, estão todos vivendo para os seus próprios umbigos. O relato de atos mostra que uma igreja que vive em comunhão vive em proximidade

2)      Solidariedade (vs.45):

 Era uma igreja que socorria os seus membros mais necessitados; era solidária ajudava, mostrava o evangelho não apenas de obras, mas de verdade.

IV – ALEGRIA E SIMPLICIDADE (vs. 46)

Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, (Act 2:46 ARA)

            Uma igreja que cresce e vive a comunhão é primeiramente alegre, pois, Cristo é o motivo principal de sua alegria; é uma igreja simples, sem ostentação; o coração da igreja que vive em comunhão é uma igreja sem orgulho.

V – É UMA IGREJA COM PODER ESPIRITUAL (vs. 43, 47)
Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

            Sabemos que os sinais e prodígios conforme vemos aqui era uma característica ímpar da igreja apostólica primitiva, pois, é associado ao ministério apostólico; entretanto, aqui nós podemos inferir algumas coisas que caracterizam uma igreja com poder espiritual; e que vive a comunhão:

a)       A aplicação da palavra de Deus na vida. (em cada alma havia o temor)
b)      Havia uma vida de piedade (louvando a Deus)
c)      Respeitabilidade (contando com a simpatia de todo o povo)
d)      Há um crescimento  (Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. )
VI – É UMA IGREJA POSSUI OS ELEMENTOS QUE A CARACTERIZAM COMO UMA IGREJA EM COMUNHÃO: (vs. 42)

1)      Pregação: “perseveravam na doutrina dos apóstolos (Act 2:42 ARA)”
2)      Oração: “Perseveravam nas nas orações (Act 2:42 ARA)
3)      Louvor: “louvando a Deus”(vs.47)
4)      Ofertório: “perseveravam na comunhão (Act 2:42 ARA)”
5)      Sacramentos: “Perseveravam no partir do pão (Act 2:42 ARA)”




[1] Veja- se: Lucas 1.1-4.

domingo, 31 de maio de 2015

1ª Coríntios 1.26-31

Exposição Bíblica:
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
Texto: 1ª Coríntios 1.26-31
26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento;
 27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;
 28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;
 29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.
 30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,
 31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
 (1Co 1:26-31 ARA)
Introdução:
            No último encontro com o apóstolo Paulo, vimos como os homens ignorantes procuram desprezar a Cruz como canal de obra redentora de Deus. O apóstolo nos apresentara que a cruz aponta para o juízo de Deus sobre aqueles que pelo orgulho desprezavam a mensagem da cruz; entretanto, este mesmo emblema traz redenção aos que se aproximam de Cristo para a salvação; pois, esta mensagem transmite a sabedoria divina e não faz acepção de pessoas.
            Entretanto, agora Paulo procura mostrar quão insignificantes são  aqueles que desprezam a mensagem poderosa da Cruz. Pois, a vocação dos eleitos e a relação deles com Cristo notifica a obra de redenção trazida pela pregação da cruz.
I – A DOUTRINA DA VOCAÇÃO CONSIDERADA (vs.26-27)
         26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; 27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;

O apóstolo Paulo agora leva em consideração o fato de que aqueles crentes estavam desprezando a Cruz de Cristo, o instrumento que Deus usara para chamá-los à comunhão com o Seu Filho. Pois, muitos se achavam dignos por terem um nobre nascimento, então, Paulo diz: “prestem atenção porque Deus expôs a sabedoria  e a nobreza de nascimento à humilhação”.
A doutrina da vocação chama o “tolo” e o “pobre” para abater a arrogância dos homens que acham que por possuírem uma boa reputação deverão ser salvos. Não, a graça de Deus não se deixa iludir pelos títulos, pelo sangue, pela cor da pele; ela simplesmente escolhe, predestina – em outras palavras, a graça resgata o pecador em Cristo Jesus.
Um alerta cabe aqui, não é que Paulo está ensinando a salvação apenas para os pobres e necessitados, mas ele assegura que “não foram muitos chamados nesta condição”; aprendemos aqui a doutrina da vocação chama tanto o rico quanto o pobre; quanto o sábio como o tolo – quanto a isso não há distinção. Deus chama seus eleitos e o faz de modo soberano sem olhar a posição social ou mesmo a conta bancária deles.
O objetivo de Deus, segundo o ensino de Paulo, é que Deus pretende humilhar o orgulho dos homens! Quebrar sua soberba  e mostrar que tudo, em termos de redenção, se deve unicamente ao seu chamado paternal.
II – QUEM SOMOS NÓS DIANTE  DA VOCAÇÃO? (vs.28):
e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;

            Quando entendemos que Deus nos escolheu tendemos a pensar mais do que devíamos de nós; achamos que somos melhores que as outras pessoas, isto porque fomos chamados, fomos eleitos por Deus; algumas coisas são importantes aqui:
2.1 – É Deus que escolhe: Não nos escolhemos a nós mesmo para a obra da redenção; não é uma questão de livre-arbítrio, antes de tudo, é uma escolha da vontade de Deus.
2.2 – Diante da vocação de Deus não somos nada: Deus nos escolhe não porque somos importantes, ou porque temos boa aparência, ou porque temos um coração bom. Diante da escolha de Deus o que há em nós? Nada! Somente pecado e depravação. Nós éramos nada antes de sermos chamados pela graça de Deus. E, com essa escolha Deus reduz a nada aqueles que acham que são alguma coisa diante dEle.
III – O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO (vs. 29)
          29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. 
A terceira verdade importante que vemos aqui é o fato de que a vocação tem propósitos específicos; que leva a Igreja a glorificar mais a Deus a exaltar sua graça e sua obra redentora em favor dos pecadores, pois, estes pecadores são alvos deste chamado soberano e eficaz. Mas qual é o propósito da vocação?
3.1 – Provocar Humildade na vida cristã:
            Paulo assegura que alvo da obra vocacional de Deus na vida do eleito é para que ele não se ensoberbeça diante de Deus: ou seja, ela visa provocar na vida dos eleitos a humildade que é a característica do crente, ter um coração humilde é compreender o chamado eficaz.
            Nenhum homem ou mulher deve se arrogar de ter sido transformado em crente; de ter sido regenerado, pois, tudo isso deveria provocar em nós uma profunda humildade, pois é tolice nos orgulhamos de uma obra que não realizamos! É tolice dizer que somos crentes porque fizemos o melhor! Antes devemos humildemente reconhecer a nossa incapacidade de operar a nossa redenção.
3.1 – Provocar em nós o desejo de glorificara a Deus:
            Uma vez que a vocação nos ensina que nos temos como nos vangloriar na presença de Deus; o sentido ao inverso é que devemos viver uma vida que glorifica a Deus como vocacionados que somos! Deus nos chamou para a sua glória, então, em vez de sermos pessoas orgulhosas, devemos glorificar aquele que nos transformou a vida! Devemos glorificar a Deus!
IV -  SOMOS PROPRIEDADES DO SENHOR NA VOCAÇÃO. (vs.30-31)
30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, 31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
                Uma vez que  eles pertencem a Deus, por intermédio de Cristo Jesus,  não existe espaço para soberbas, não há espaço para o orgulho. Pois, é em Cristo que toda a sabedoria de Deus está revelada; não devemos buscar a sabedoria em outro lugar, apenas na pessoa de nosso bendito redentor Jesus Cristo.
            Ao dizer que Cristo é nossa sabedoria, Paulo quer nos dizer que nEle no Senhor Jesus temos toda sabedoria que carecemos e precisamos; ao dizer , ao dizer que Cristo é nossa justiça, o apóstolo está nos assegurando que temos livre acesso ao Pai; porque os nossos pecados foram expiados por Cristo no calvário.
            A terceira verdade  bíblica que apóstolo ensina é que Cristo “é nossa santificação”; ao declarar, isso ele pretende aclarar as nossas mentes que em nós há somente pecados somos poluídos em nossa natureza pecaminosa; mas, pela graça de Deus, em Cristo,  nascemos de novo  pela ação do Espírito Santo de Deus. E isto para uma vida de Santidade em Cristo Jesus.
            E, por último, aqui Paulo nos ensina que Cristo nos foi dado para a nossa redenção; uma redenção passada, presente e futura. Sim, Cristo é o nosso tudo, fomos redimidos, salvos, e libertados em Cristo Jesus.
            No verso 31 somos inseridos no propósito pelo qual Deus nos deu tudo em Cristo: para que não achemos que tudo o que somos hoje deve-se ao  nosso mérito pessoal.
            Nós não temos nada por causa de nosso esforço, mas simplesmente por causa da vontade de Deus. Não temos uma casa porque o governo nos deu; não temos um emprego porque um amigo nos conseguiu, não, pelo contrário temos tudo isso por causa da bondosa vontade de Deus.
            E assim, em vez de nos gloriarmos em nós mesmos e nos nossos esforços venhamos a nos gloriar em Deus somente! Amém!



domingo, 10 de maio de 2015

1ª Coríntios 1.10-17 - A IGREJA DE DEUS – LIDANDO COM A DIVISÃO

Série de Exposições Bíblicas:
Livro Estudado: 1ª Coríntios
Texto: 1ª Coríntios 1.10-17.
Tema: A IGREJA DE DEUS – LIDANDO COM A DIVISÃO
Expositor: Rev. João Ricardo Ferreira de França.
1ª Coríntios 1.10-17
10 Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. 11 Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. 13 Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio; 15 para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16 Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. 17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.
Introdução:
Agora  Paulo diz que é informado de divisão dentro daquela igreja que ele acabara de agradecer em oração; essa era uma preocupação do coração pastoral de Paulo.
I – EXORTAÇÃO A FAVOR DA UNIDADE (vs.10)
Versículo 10: A primeira palavra do apóstolo é “Parakalw/” - parakalô - o termo é empregado para significar exortação; chamar ao lado de forma particular para repreender, ou para encorajar, aqui o apóstolo exorta os irmãos por meio do nome de Cristo que todos falem a mesma linguagem, tenha a mesma palavra e que uma vez isso estabelecido não deve haver divisões entre eles.
Isto implica que a igreja deveria manifestar a unidade em duas áreas importantes à vida cristã:
(1) Na Palavra: a unidade deve ser manifestada também no discurso que a igreja tem “λέγητε” [falar];
(2) No mesmo pensar: Esta unidade deve ser também intensificada na maneira de pensar da própria igreja; o apóstolo usa a palavra “mente” aqui no texto “νοῒ
A palavra divisão que aparece aqui no texto  “sci,smata” - schimata - é usada para descrever divisões planejadas [esquema]. Antes a atitude da igreja deveria ser a de uma comunidade unida, sem facções, sem divisões. “sejais inteiramente unidos” - kathrtisme,noi– aqui a ideia é de perfeitos, apenas os crentes podem ser considerados um povo perfeito diante de Deus, porque o vínculo disso chama-se unidade no mesmo pensamento e no mesmo parecer.

II – O PORQUÊ DA EXORTAÇÃO À UNIDADE (vs 11)

            Por que Paulo começa este trecho exortando à Igreja a viver em unidade? Qual o motivo que Paulo se interessa por este tema precisamente aqui? E a resposta está no Versículo 11: O santo apóstolo usa a  palavra “pois” esta conjução conclusiva nos informa algo que Paulo tomou por conhecimento. Ele diz que foi informado; a palavra grega usada aqui [“evdhlw,qh”-edêlôthe ] significa “tornar claro”, “fazer conhecido”  Ou seja, Paulo ficou foi prontamente informado de perigo da divisão que a havia dentro da igreja de Corinto.  Aqui se menciona a  “casa de Cloe”. Nada sabemos desta personagem que figura aqui na carta de Paulo aos coríntios. Mas, uma coisa nós temos Plena certeza de que ela conhecia a Paulo e avisou ao apóstolo a respeito das constantes divisões naquela igreja.
            Então, a exortação inicial a respeito da unidade Cristo estava vinculada a uma informação que o apóstolo recebera de alguém que provavelmente frequentava a Igreja e que não estava satisfeita com a divisão constante no seio da igreja; e por isso, recorreu ao apóstolo fundador desta igreja para viabilizar uma solução.

III – A NATUREZA DAS DIVISÕES: (vs.11-17)

1) As divisões tinham caráter partidarista: (Versículo 11-12: )
11 Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo.

A natureza das divisões são bem específicas, promovidas pelo orgulho, pelo senso de superioridade e de partidarismo corrente e crescente entre os crentes. E como era feito este partidarismo? O partidarismo se instala na vida da Igreja quando criamos ídolos. Havia aqueles que diziam ser obedientes a um único apóstolo, e assim, se negavam a seguir o ensino de outro apóstolo. Então, a igreja primitiva viveu uma grande marca de divisão: eu de Paulo, eu de Apolo , eu de Pedro e por fim, o grupo de Cristo.
 Destes grupos o pior era o do Cristo, porque este não se submetia a autoridade eclesiástica alguma. Ou seja, em sua espiritualidade aflorada achavam que o melhor era ouvir o que Jesus tinha a dizer e a ensinar ; e rejeitavam os ensinos apostólicos. Paulo lembra que é exatamente esta atitude que manifesta as divisões dentro da igreja.

2 . Eram divisões que não consideravam a obra redentora de Cristo.
. 13 Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio; 15 para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16 Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. 17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.

Versos 13-17: O apóstolo continua sua tônica a respeito das divisões dentro da igreja de Cristo. Ao perceber a onde de partidarismo dentro da Igreja estava levando os crentes. Então, Paulo faz uma pergunta retórica: “Acaso, está cristo dividido?...”
 O verbo dividir aqui “Meme,ristai”(memeristai) está em um tempo verbal que indica algo completo: Cristo já foi dividido?  Aqui a questão de Paulo claramente intenciona uma resposta negativa; ou seja, Cristo não é a base para haver divisões na igreja.
 Na sequencia do texto  o apóstolo  fala em termos redentivos, questionando se ele foi rasgado ou crucificado em favor daqueles crentes.  Paulo mostra que ele não é redentor do povo da igreja, mas que é apenas um porta-voz , um proclamador.
Ninguém foi batizado em nome de nenhum líder espiritual, pois, isto deturparia o propósito deste sacramento. Paulo parece dirigir-se a um grupo especifico dentro da igreja “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, ”(Vs 14) -  O apóstolo agradecia a Deus exatamente porque não havia batizado muita gente naquela cidade. 
Apenas três nomes figuram sobre o sacramento realizado pelo apóstolo: Crispo, Gaio e Estéfanas (Vs.14-16)Por que tudo isso? Porque Paulo quer deixa bem claro para aqueles crentes que o alvo dele, a finalidade dele é edificar o reino por meio da pregação da palavra (VS.17) esta é a vocação do pastor: pregar a Palavra. Que promove unidade. Paulo aqui quer ser mais específico ele diz que o alvo do ministério dele é a pregação da palavra.  E, assim nos mostra que a cruz de  Cristo é o objetivo divino para as nossas vidas.

Aplicação:
1. Devemos promover a unidade em nossa igreja  Local: Como podemos fazer isso? Aconselhando-nos mutuamente a falar a mesma linguagem, perseguir o mesmo ensino, e ter o mesmo pensamento. A verdadeira unidade está nesta duas coisas importantes: Comunhão de palavras e de Pensamentos.
2 – Quando vemos a divisão tomando conta da vida da igreja devemos ter coragem para buscar ajuda para resolver o problema: Foi exatamente isso que uma família em peso da Igreja fez; eles não podiam por si só promover e estabelecer a concórdia entre os irmãos, então, recorreram ao apóstolo para que ele ficasse ciente do problema e apresentasse uma solução. Nós precisamos ter a mesma coragem caso isso ocorra na igreja de Cristo Jesus.

3 – Devemos acabar com os ídolos de nosso coração: O que promove em muitos casos a desunião na igreja é a nossa atitude idolatra! Nos simpatizamos com alguém, criamos o nossos grupos, chegamos a endeusar pessoas, títulos, posições, e até cobiçamos tais coisas para nós, a custo da verdade e da unidade. Precisamos vigiar o nosso coração, precisamos tratar dele, pois diz a palavra de Deus que é corrupto e corruptor de nossa existência. Lutemos para que a idolatria não aferre de nós, e nos torne presas fáceis à divisão.  

domingo, 22 de março de 2015

OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO REFORMADA

 OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO LITÚRGICA REFORMADA:

Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

            A doutrina dos sacramentos da Igreja Presbiteriana está intimamente ligada à concepção calvinista destes mistérios da salvação. “A teologia sacramental do reformador João Calvino encontra-se principalmente nos capítulos XIV a XIX do livro IV da Instituição da Religião Cristã (Institutas) [...]”[1]. Essa tradição calvinista se faz presente nos símbolos de fé de Westminster que são padrões confessionais da Igreja Presbiteriana.
            O que é um sacramento? O Catecismo Maior responde:

Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]

1 – O BATISMO CRISTÃO:


            O sacramento do Batismo é fundamental na comunidade dos fiéis. Uma vez que ele apresenta a nova perspectiva da vida cristã; pois, este sacramento é “um sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna[3].
            a) Nossa União com Cristo apontada no Batismo:
            O nosso Catecismo tem a definição do batismo como um sinal e selo da aliança para indicar a nossa união com Cristo. Paulo nos ensina isso em Gálatas 3.27 – “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” – então, no ato do batismo em pleno culto público é uma declaração de Deus para conosco de que pertencemos a Cristo e estamos em íntima comunhão com ele.
            b) O Batismo é um sinal e selo das bênçãos salvadoras:
            Todas as bênçãos salvadoras que carecemos são assinaladas e apontadas como uma realidade no sacramento do batismo – ele aponta para tudo aquilo que Cristo fez tais como a remissão dos pecados (Atos 22.16; Marcos 1.4; Apocalipse 1.5); a regeneração produzida pelo Espírito Santo é simbolizada pelo derramar da água do batismo (João 3.5; Tito 3.5).

            c) O Batismo é o selo da admissão na igreja de Deus:
            O catecismo ainda nos diz que este sacramento serve para que os que são batizados sejam “solenemente admitidos à Igreja visível e entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor.” (Atos 2.41)
            e) Os Sujeitos do Batismo:
             O batismo cristão deve ser ministrado aos pais bem como aos filhos. O batismo doméstico deve ser praticado na Igreja de Cristo.  O que labora para a prática do batismo infantil é o testemunho claro das Escrituras sobre  a continuação da aliança (Colossenses 2.11-12); assim, como também a evidência bíblica de batismo de famílias inteiras nas Escrituras (Atos 16.15,33-34). “Deveríamos falar em ‘batismo familiar’ em vez de ‘batismo infantil’”[4]

 

2 – A EUCARISTIA.


            A prática litúrgica na igreja integra o conceito da celebração da eucaristia. O sacramento da Santa Ceia do Senhor, como é conhecido, “é o rito basilar de nossa fé”.[5] A Eucaristia é lembrada como a proclamação visível de Deus ao mundo de sua redenção.
            Mas, o que é a Eucaristia ou Ceia do Senhor? O Catecismo Maior de Westminster na pergunta 168 nos responde:
A Ceia do Senhor é um sacramento do Novo Testamento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Jesus Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam dele, alimentam-se do corpo e do sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns para com os outros, como membros do mesmo corpo místico.

            É a refeição da aliança do povo de Deus (Mateus 26.26-28) apontando para o sofrimento de Cristo e a libertação de seu povo.
            a) As concepções eucarísticas sobre a presença real de Cristo:
1. Transubstanciação: A concepção da Igreja Romana de que o pão e o vinho se transformam no corpo de Cristo literalmente.
2. Consubstanciação: A concepção luterana de que Cristo está no pão e vinho, ou sob, ao lado junto com estes elementos.
3.Concepção Memorial: A concepção zuingliana de que a Santa Ceia é um mero memorial no qual não confere benção alguma.
4. A presença real, porém espiritual: É a posição presbiteriana de que Cristo está presente na eucaristia de forma real porém verdadeira e espiritualmente.
            b) A regularidade da Eucaristia no culto público: Quantas vezes devem ocorrer a Eucaristia na celebração pública? Convencionou-se nas nossas igrejas a celebrar a Ceia do Senhor uma vez por mês, geralmente, no primeiro domingo de cada mês. Muitos procuram justificar isso associando o rito pascal, que era celebrado uma vez por ano, como padrão para ser uma vez por mês. E, historicamente sabemos que Zwínglio reduziu a freqüência da celebração da Ceia do Senhor a quatro vezes por ano – e ainda desvinculou a celebração do dia do Senhor.[6]
            Mas, estudando os dados do Novo Testamento sabemos que a Ceia do Senhor era freqüente na vida litúrgica da igreja primitiva. Em Atos 2.42 nos mostra isso de forma muito clara. “A Ceia era, portanto, celebrada regularmente. Diz também a narrativa, como de passagem, que os irmãos de Trôade, no primeiro dia da semana, estavam ‘reunidos como o fim de partir o pão’ (Atos 20.7)”.[7]
            A vida da igreja era litúrgica e sacramental. É notório que estes textos sempre apresentam o vínculo conectivo entre o “dia do senhor” e o “partir do pão”; então, a celebração deve ser feita no domingo e deve ser regular. Na primeira carta de Paulo aos Coríntios ele mostra que a eucaristia era celebrada regularmente na vida da Igreja (1ª Coríntios 10.16; 11.23-31). No capítulo 11.20 o apóstolo mostrar que ao tratar do tema da profanação da refeição pactual ele mensura a ideia que eles normalmente se reúnem para aquilo. Ele usa o negativo “não é a Ceia do Senhor que comeis”, por causa, da prática pecaminosa deles que acabava por profanar o sacramento regularmente.
            No capítulo 11.24 o conceito de memória é introduzido por Paulo seguindo a tradição de Cristo em Lucas 22.19. A palavra grega “ἀνάμνησιν.” [anamnesin] Carrega o  conceito muito amplo é mais que mera lembrança. A ideia que o conceito encerra é de “tornar presente aquilo que recorda”.[8] Podemos dizer que se trata de uma recapitulação da história da redenção que nos fornece certeza da presença verdadeira de Cristo na celebração litúrgica.

  
REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS:


1.       ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.
2.       GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola.
3.       KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005.
4.       LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
5.       MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999.




* O Autor é Ministro da  Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Estudou no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Hebraico e Grego) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) em Recife – PE. Atualmente é pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Piripiri – Piauí.(www.ipdepiripiri.blogspot.com.br )  É casado e tem um filho.
[1] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.87-88.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Catecismo Maior de Westminster resposta à pergunta 165.
[4] LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.83.
[5] GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola, p.7.
[6] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.86.
[7] ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.

[8] MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999, p.89.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O LÍDER CRISTÃO – O PASTOR DO SEU LAR

LÍDER CRISTÃO – O PASTOR DO SEU LAR.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Salmo didático de Asafe Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca.  Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus.
(Salmos 78.1-8)
Introdução:
            Já temos visto a importância da liderança espiritual no lar, e vimos que o homem cristão te uma enorme responsabilidade sobre os seus ombros como homem protetor e provedor de seu lar.
            Nesta noite temos um grande desafio para cada um de nós. O desafio de pastorear o coração de nossos familiares; pois, muitos de nossos lares estão cheios de impiedade, sem santidade e compromisso com Deus. Isto porque muitos homens não assumem o seu papel no lar de sacerdotes.
            Por outro lado, enfrentamos uma crise litúrgica, pois, muitas de nossas igrejas estão sem adoradores regulares porque falta muita espiritualidade nos lares dos crentes; falta compromisso com Deus e com a sua palavra.
            A igreja precisa de homens que caminhem com Deus, que ame a sua palavra que a tornem o centro de seus lares e a base de suas famílias. É necessário que as famílias resgatem o culto doméstico, pois, como alguém já disse: “uma casa sem culto doméstico não tem alicerce e nem teto”.
            Que tipo de homem Deus quer que você seja no seu lar ou no seu futuro lar? Moças que tipo de homem vocês devem procurar para casar?
I – O LÍDER CRISTÃO DEVE TRAZER A PALAVRA DE CRISTO À SUA FAMÍLIA.
            Uma das principais dos pais em relação ao filho e a esposa é certamente trazer a Palavra de Deus à família; é instruir a sua esposa e seu filho na Palavra do Senhor. É sua responsabilidade purificar a sua mulher pela água da palavra (Efésios 5.26): “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,”  - é responsabilidade ímpar dos maridos ensinarem as suas esposas a Palavra de Cristo; os homens tem essa responsabilidade como sacerdotes do lar de ensinarem pela palavra e com a palavra a vontade de Deus para as esposas.
            Também somos ensinados que, como pais, nós devemos ensinar a lei de Deus com diligência aos nossos filhos para que eles conheçam ao Senhor. (Deuteronômio 6.6-7): “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
            É papel dos pais ensinarem ao seu filho o caminho da santidade e do temor a Deus, pois, devemos inculcar os preceitos de Deus aos nossos filhos! Pois, eles devem ser ensinados “na disciplina e admoestação do senhor” (Efésios  6.4).
            Nós devemos promover a religião familiar no dizer do pastor Puritano Richard Baxter. Pois, muitos homens acham que os pastores é que devem pastorear os seus lares, ensinar a Palavra de Deus as suas mulheres e filhos, todavia, conforme temos, visto esta é uma responsabilidade que recai sobre os ombros dos homens casados e não somente do Pastor. 
II – O LÍDER CRISTÃO DEVE ORAR POR SUA FAMÍLIA E COM ELA.
            Você como pastor do seu lar deve de forma clara orar por sua família e nutrir uma vida de oração com ela. Ser um homem de oração em nossos dias é um grande desafio! Somos uma geração que desaprendeu a orar; não temos mais do quarto secreto da oração.
            Paulo recebeu uma prática salutar de seus pais que era a prática da oração constante, ele manifesta esta verdade ao orar por Timóteo e pela Igreja de Deus conforme ele mesmo diz em 2 Timóteo 1.3: “Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia.” Nós como líderes de nosso lar devemos fazer como fez Jó. 1.1-5:
Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.
            Aqui nós aprendemos algumas verdades importantes:
1.      Jó era um pai preocupado com a espiritualidade dos filhos: O texto nos informa que Jó procurava santificar cada filho; em outras palavras, ele procurava cuidar da alma de seus filhos como um sacerdote do lar.
2.      Ele realizava um culto a Deus com desprendimento: O patriarca levantava-se de madrugada para prestar um culto a Deus, pois, pensava que eles haviam pecado contra o senhor em seu coração; pastorar o coração dos filhos é um papel fundamental dos pais!
III – O LÍDER CRISTÃO DEVE PROCLAMAR A PALAVRA DE CRISTO PARA O SEU LAR.
            Aqui há muita negligencia neste aspecto também. Muitos homens e mulheres são sobejamente injustos com os seus pastores, dizendo que eles não a sua devida atenção ao rebanho, mas George Whitefield alerta-nos para um fato interessante que muitos líderes dos lares de nossa igreja caem na mesma desgraça: “pois, cada casa é uma pequena paróquia, cada chefe de família é como um sacerdote, cada família como um rebanho, e se qualquer um deles perece devido à negligência do líder, das mãos deste ser requerido por Deus o sangue de quem pereceu”.
            Aqui vemos que muitos pais estão negligenciando o principio básico do pastorear as suas próprias famílias e de proclamar para elas a palavra de Cristo. Não trata-se e uma pregação formal, mas do transmitir a fé do passado, observemos o que nos diz o salmista no salmo 78.1-8:
Salmo didático de Asafe Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca.  Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus.

            Os pais (homem e esposa) tem a responsabilidade de passar a diante toda a história da redenção que Deus manifestou ao longo da história; proclamar Cristo no lar é a maior benção que um casal cristão pode receber do seu Senhor e Salvador.