segunda-feira, 20 de julho de 2015

Batismo por Aspersão – Uma característica de nossa Identidade Presbiteriana.

Batismo por Aspersão – Uma característica de nossa Identidade Presbiteriana.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
INTRODUÇÃO:
Estamos vivendo uma época de crise de identidade em nossa denominação, e por isso, precisamos resgatar a nossa identidade. A Igreja Presbiteriana precisa repensar e regressar as antigas verdades outrora defendidas com afinco na igreja.
O nosso tema de hoje é polêmico, isto porque a comunidade evangélica da atualidade é IMERSIONISTA, sendo assim, talvez alguns de vocês tenham assimilado essa prática e gerado um preconceito contra o batismo por aspersão – digo que isso é natural, mas é desprovido de fundamento. Sabe como a imersão tem sido assimilada? Pelo menos de duas formas básicas:
1) Pela associação com o Batismo Católico Romano – Ser aspersionista é ser católico romano; assim, dizem os crentes modernos.
2) João Batista batizou no Rio Jordão – Esse tem sido o argumento do imersionistas, pois, eles supõem que se João, o Batista, batizou em um rio esse batismo foi por imersão.
O nosso estudo visa mostrar que estas duas premissas estão erradas. O batismo por aspersão não é do catolicismo romano, mas é uma forma bíblica de Batismo; segundo, João, o Batista, jamais praticou a imersão.

A nossa Confissão de Fé declara [1] o seguinte: “Não é necessário imergir o batizando na água; mas o batismo é corretamente administrado ASPERGINDO água sobre o candidato” (Confissão de Fé de Westminster, Cap.23 e Séc.3). Essa é a nossa tese neste estudo.

Vejamos o que podemos aprender sobre este assunto:

I – O QUE É BATISMO?
O nosso Breve Catecismo diz que “o batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa e sela a nossa União com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da Graça, e nosso compromisso de pertencemos ao Senhor” (Breve Catecismo pergunta 94).
Nesta definição de Batismo oferecida por nosso símbolo de fé podemos destacar algumas coisas:
1.1 – O batismo é um Sacramento: O termo “Sacramento” significa algo que é Santo. Um sacramento, dentro da definição presbiteriana, é “um sinal visível de uma graça invisível” que tem sido destinada aos crentes em Cristo[2] , devemos levar em consideração este conceito presbiteriano, o batismo não é qualquer coisa, tem valor e muito valor.
1.2 – O batismo significa e sela a nossa união com Cristo: O batismo aponta para a realidade de que fomos alcançados por Cristo, Deus declara-nos que fomos salvos e que lhe pertencemos mediante este sacramento.
II – ANALISANDO O VOCÁBULO BATISMO
Os imersionistas dizem que o termo Batismo significa sempre “Imergir na água”. Dizem que os termos “Baptw”(Baptô) e “Baptizw”(Baptizô) sempre tem essa conotação. É verdade que no grego clássico estes termos significavam “imergir”, todavia, o grego Novo Testamento é o Grego conhecido como Koinê (Aquilo que é comum, aquilo que é do povo). E os termos nunca são empregados no Novo Testamento com esse sentido de imergir.
Vejamos:
1) Batizar nem sempre é imergir: Cristo não se Batizava antes de comer veja o que diz Lucas 11.38, o vocábulo grego empregado é “ebaptisqh”(Ebaptisthê).Outro fato interessante é o que Marcos diz em 7.4 “quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem( baptiswntai - baptisôntai); e há outras cousas que receberam para observar, como a lavagem( baptismouV - Baptismus) de copos, jarros e vasos de metal e camas”.
Ora, se a palavra “Batismo” significa somente imergir, então, como explicar a imersão das camas de dormir – em qual tanque eles praticavam isso? No rio Jordão? Como? Levavam a cama na cabeça até o rio?
Como explicar Dn.4.25? Na versão grega do Antigo Testamento (Conhecida como Septuaginta) diz que “Nabucodonozor foi batizado no Orvalho do Céu”. Ele foi mergulhado no orvalho? Uma gota de chuva prova a imersão ou a aspersão?
2) Batizar não é sepultar: Os imersionistas advogam que o Batismo é símbolo da morte de Cristo. E apelam para Romanos 6.4ss , estes textos fala de nossa identificação com Cristo no Batismo dele que é caracterizado como a sua morte, e este batismo, sela nossa união com Ele. Associam que o descer a sepultura de Cristo, é figura do seu batismo, a pergunta é: Cristo foi sepultado como nós ocidentais somos? Ele foi baixado na cova, ou foi sepultado dentro de uma rocha, ou caverna? Então, o modelo de nosso sepultamento não serve para tal simbolismo do batismo de Cristo.

III – JOÃO, O BATISTA – UM IMERSIONISTA?
Os imersionistas agarram-se a João Batista dizendo que ele praticou a imersão. Será que João praticou a imersão no seu ministério?Alguns argumentam que ele batizou no Rio Jordão, ora se ele batizava em um rio, logo, ele batizava por imersão. Parece-nos uma conclusão lógica.Temos alguns problemas com essa argumentação:
1) Quem era João Batista? Todos nós sabemos que João era o primo de Cristo, e Filho de Isabel e Zacarias. Mas qual é era a função João? Jesus disse que João era Profeta. Por isso, Cristo disse que ele era o Elias prometido conforme profetizado por Malaquias 4.5, isto é fato descrito por Mateus 11.10-13. O que iria fazer o “Elias prometido”? Em Malaquias 3.1,3 diz que ele “purificará os filhos de Levi”, mas como era feita a purificação dos Filhos de Levi? Era por imersão ou aspersão? Veja o que diz Números 8.6-7. Então, João não poderia ser um imersionista.
2) João como profeta não poderia introduzir um novo rito de purificação: É público e notório que todos os ritos de purificação no V.T eram por aspersão, e todos os profetas praticaram a aspersão como rito de purificação, especialmente porque Moisés havia recebido a ordem de Deus para isso, logo, nenhum profeta poderia alterar o rito, como João, sendo um judeu levita, poderia introduzir tal rito estranho? Basta olharmos o primeiro capítulo do Evangelho de João 1.25 (evangelista) para vermos que isso era impossível.

IV – ALGUMAS PASSAGENS DA ESCRITURA E ASPERSÃO PROVADA
Neste momento queremos mostrar alguns textos das Escrituras onde a imersão não aparece, e torna-se evidente que a aspersão é o caso aplicado. Estes textos provam que a imersão nunca foi uma prática bíblica, e assim, a aspersão é bíblica – não pode existir duas verdades quando uma se opõe a outra, vejamos:
1) Paulo não foi imerso: Não há como negar que Paulo foi batizado em pé Atos 9.18; 22.16. A expressão no original grego anastas ebaptisqh(anastas ebaptisthê) o particípio grego “anastas” indica que houve uma ação simultânea entre o levantar e ser batizado. Não há porque supor que havia um tanque batismal na casa para isso, pois, tal não era a prática de judeus já apegados a aspersão.
2) As abluções são traduzidas por batismos: O autor do livro de Hebreus que as várias cerimônias de purificações no V.T são chamadas de “batismos” isso no capítulo 9.10 e as descreve nos versículos 19-22
3) Como explicar a imersão em I Corintios 10.1,2: É possível ser imerso na nuvem? Ou no Mar Vermelho? Os israelitas foram imersos no Mar Vermelho? Não foram os egípcios? Como podemos ser mergulhados em Moisés? Este texto só tem explicação se a aspersão foi admitida no termo “batismo” que é empregado aqui.

4) Atos 2.41 prova a imersão? A resposta é não. Porque os imersionistas não consideram algumas coisas.
4.1) não havia rio dentro da cidade de Jerusalém.
4.2) como mergulhar 3 mil pessoas em um dia, em um local sem águas para a imersão ser praticada..
Conclusão
Este estudo tem o caráter de ser uma introdução ao assunto, solicitamos que todos possam estudar este assunto com afinco, e assim, possamos resgatar a nossa identidade.
[1] A Igreja Presbiteriana do Brasil possui três símbolos de Fé: 1) A Confissão de Fé de Westminster; 2) O Breve Catecismo de Westminster; 3) O Catecismo Maior de Westminster.

[2] Veja-se a Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 26, Seção 1.

domingo, 28 de junho de 2015

Exposição de Atos 2.42-47

AS CARACTERÍSITICAS QUE UMA IGREJA VIVE A COMUNHÃO DO SANTOS.
ATOS 2.42-47.
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
            Às vezes achamos que viver a comunhão dos é um momento de lazer, na praia, em um jogo de futebol; uma pizzaria ou em qualquer lugar que haja uma aglomerado de gente com o intuito de se descontrair.
Elucidação:
            O livro de Atos dos Apóstolos narra os trinta anos da igreja após a ascensão de Jesus Cristo. Este livro é o segundo volume de Lucas, o mesmo autor do evangelho; conforme lemos:
Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar  2 até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. 3 A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. 4 E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes[1].
 (Atos 1:1-4 ARA)
Propósito:
            Sabemos que o propósito da obra Lucas-Atos é a catequização de uma personagem, pois, isso é expresso logo no início do livro de Atos dos Apóstolos. É um relato coordenado sobre a vida e ministério de Jesus Cristo na igreja e por meio dela; é uma narrativa de como a igreja vivia e praticava o evangelho.
            Quais as características ou marcas apontam para uma igreja que de fato vive a comunhão dos santos? Busquemos as resposta a esta pergunta a partir da análise do texto que temos diante de nós:

I – A PERSEVERANÇA (vs.42)
“E perseveravam... ” .
            Na língua grega o verbo “perseverar” conforme aparece aqui no texto “προσκαρτεροῦντες ”(proskarterountes) tem o sentido de “vencer uma dificuldade, manter-se em firme estado”. É um verbo em um tempo que indica uma ação passada com resultados permanentes.
            Esta perseverança era de duas naturezas:
1) Era Lata: envolvia a oposição do mundo à igreja.
 2) Era Estrita: envolvia um compromisso com a doutrina e com a freqüência as reuniões da igreja (vs.42,46): E perseveravam na doutrina ...Diariamente perseveravam unânimes no templo
 3) A perseverança era na doutrina apostólica: ou seja, não havia lugar para falsos ensino na igreja que era perseverante diante de Deus.
II – TEMOR (vs. 43)
Em cada alma havia temor;...”
            A palavra grega usada aqui é “φόβος ” (fobos) que é temor – aponta para a reverência, era uma igreja tinha uma profunda reverência ao ser de Deus. E por que temer a Deus?
a)      Pelo direito de Criação – Deus é criador de tudo o que há, ele é senhor sobre nós.
b)      Falta de retidão: há na vida nossa muita falta de santidade, e na igreja na adoração estamos sempre diante de Deus; Isaías 6 ilustra para nós este principio do temor da igreja.
III – FRATERNINDADE (vs.44-45)
Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
            Neste trecho temos duas atitudes que expressavam a fraternidade da igreja:
1)      Proximidade (vs.44):

 A igreja hoje quer viver a comunhão dos santos, mas nunca está junta, estão todos vivendo para os seus próprios umbigos. O relato de atos mostra que uma igreja que vive em comunhão vive em proximidade

2)      Solidariedade (vs.45):

 Era uma igreja que socorria os seus membros mais necessitados; era solidária ajudava, mostrava o evangelho não apenas de obras, mas de verdade.

IV – ALEGRIA E SIMPLICIDADE (vs. 46)

Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, (Act 2:46 ARA)

            Uma igreja que cresce e vive a comunhão é primeiramente alegre, pois, Cristo é o motivo principal de sua alegria; é uma igreja simples, sem ostentação; o coração da igreja que vive em comunhão é uma igreja sem orgulho.

V – É UMA IGREJA COM PODER ESPIRITUAL (vs. 43, 47)
Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

            Sabemos que os sinais e prodígios conforme vemos aqui era uma característica ímpar da igreja apostólica primitiva, pois, é associado ao ministério apostólico; entretanto, aqui nós podemos inferir algumas coisas que caracterizam uma igreja com poder espiritual; e que vive a comunhão:

a)       A aplicação da palavra de Deus na vida. (em cada alma havia o temor)
b)      Havia uma vida de piedade (louvando a Deus)
c)      Respeitabilidade (contando com a simpatia de todo o povo)
d)      Há um crescimento  (Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. )
VI – É UMA IGREJA POSSUI OS ELEMENTOS QUE A CARACTERIZAM COMO UMA IGREJA EM COMUNHÃO: (vs. 42)

1)      Pregação: “perseveravam na doutrina dos apóstolos (Act 2:42 ARA)”
2)      Oração: “Perseveravam nas nas orações (Act 2:42 ARA)
3)      Louvor: “louvando a Deus”(vs.47)
4)      Ofertório: “perseveravam na comunhão (Act 2:42 ARA)”
5)      Sacramentos: “Perseveravam no partir do pão (Act 2:42 ARA)”




[1] Veja- se: Lucas 1.1-4.

domingo, 31 de maio de 2015

1ª Coríntios 1.26-31

Exposição Bíblica:
Pr. João Ricardo Ferreira de França.
Texto: 1ª Coríntios 1.26-31
26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento;
 27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;
 28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;
 29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.
 30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,
 31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
 (1Co 1:26-31 ARA)
Introdução:
            No último encontro com o apóstolo Paulo, vimos como os homens ignorantes procuram desprezar a Cruz como canal de obra redentora de Deus. O apóstolo nos apresentara que a cruz aponta para o juízo de Deus sobre aqueles que pelo orgulho desprezavam a mensagem da cruz; entretanto, este mesmo emblema traz redenção aos que se aproximam de Cristo para a salvação; pois, esta mensagem transmite a sabedoria divina e não faz acepção de pessoas.
            Entretanto, agora Paulo procura mostrar quão insignificantes são  aqueles que desprezam a mensagem poderosa da Cruz. Pois, a vocação dos eleitos e a relação deles com Cristo notifica a obra de redenção trazida pela pregação da cruz.
I – A DOUTRINA DA VOCAÇÃO CONSIDERADA (vs.26-27)
         26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; 27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;

O apóstolo Paulo agora leva em consideração o fato de que aqueles crentes estavam desprezando a Cruz de Cristo, o instrumento que Deus usara para chamá-los à comunhão com o Seu Filho. Pois, muitos se achavam dignos por terem um nobre nascimento, então, Paulo diz: “prestem atenção porque Deus expôs a sabedoria  e a nobreza de nascimento à humilhação”.
A doutrina da vocação chama o “tolo” e o “pobre” para abater a arrogância dos homens que acham que por possuírem uma boa reputação deverão ser salvos. Não, a graça de Deus não se deixa iludir pelos títulos, pelo sangue, pela cor da pele; ela simplesmente escolhe, predestina – em outras palavras, a graça resgata o pecador em Cristo Jesus.
Um alerta cabe aqui, não é que Paulo está ensinando a salvação apenas para os pobres e necessitados, mas ele assegura que “não foram muitos chamados nesta condição”; aprendemos aqui a doutrina da vocação chama tanto o rico quanto o pobre; quanto o sábio como o tolo – quanto a isso não há distinção. Deus chama seus eleitos e o faz de modo soberano sem olhar a posição social ou mesmo a conta bancária deles.
O objetivo de Deus, segundo o ensino de Paulo, é que Deus pretende humilhar o orgulho dos homens! Quebrar sua soberba  e mostrar que tudo, em termos de redenção, se deve unicamente ao seu chamado paternal.
II – QUEM SOMOS NÓS DIANTE  DA VOCAÇÃO? (vs.28):
e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;

            Quando entendemos que Deus nos escolheu tendemos a pensar mais do que devíamos de nós; achamos que somos melhores que as outras pessoas, isto porque fomos chamados, fomos eleitos por Deus; algumas coisas são importantes aqui:
2.1 – É Deus que escolhe: Não nos escolhemos a nós mesmo para a obra da redenção; não é uma questão de livre-arbítrio, antes de tudo, é uma escolha da vontade de Deus.
2.2 – Diante da vocação de Deus não somos nada: Deus nos escolhe não porque somos importantes, ou porque temos boa aparência, ou porque temos um coração bom. Diante da escolha de Deus o que há em nós? Nada! Somente pecado e depravação. Nós éramos nada antes de sermos chamados pela graça de Deus. E, com essa escolha Deus reduz a nada aqueles que acham que são alguma coisa diante dEle.
III – O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO (vs. 29)
          29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. 
A terceira verdade importante que vemos aqui é o fato de que a vocação tem propósitos específicos; que leva a Igreja a glorificar mais a Deus a exaltar sua graça e sua obra redentora em favor dos pecadores, pois, estes pecadores são alvos deste chamado soberano e eficaz. Mas qual é o propósito da vocação?
3.1 – Provocar Humildade na vida cristã:
            Paulo assegura que alvo da obra vocacional de Deus na vida do eleito é para que ele não se ensoberbeça diante de Deus: ou seja, ela visa provocar na vida dos eleitos a humildade que é a característica do crente, ter um coração humilde é compreender o chamado eficaz.
            Nenhum homem ou mulher deve se arrogar de ter sido transformado em crente; de ter sido regenerado, pois, tudo isso deveria provocar em nós uma profunda humildade, pois é tolice nos orgulhamos de uma obra que não realizamos! É tolice dizer que somos crentes porque fizemos o melhor! Antes devemos humildemente reconhecer a nossa incapacidade de operar a nossa redenção.
3.1 – Provocar em nós o desejo de glorificara a Deus:
            Uma vez que a vocação nos ensina que nos temos como nos vangloriar na presença de Deus; o sentido ao inverso é que devemos viver uma vida que glorifica a Deus como vocacionados que somos! Deus nos chamou para a sua glória, então, em vez de sermos pessoas orgulhosas, devemos glorificar aquele que nos transformou a vida! Devemos glorificar a Deus!
IV -  SOMOS PROPRIEDADES DO SENHOR NA VOCAÇÃO. (vs.30-31)
30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, 31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
                Uma vez que  eles pertencem a Deus, por intermédio de Cristo Jesus,  não existe espaço para soberbas, não há espaço para o orgulho. Pois, é em Cristo que toda a sabedoria de Deus está revelada; não devemos buscar a sabedoria em outro lugar, apenas na pessoa de nosso bendito redentor Jesus Cristo.
            Ao dizer que Cristo é nossa sabedoria, Paulo quer nos dizer que nEle no Senhor Jesus temos toda sabedoria que carecemos e precisamos; ao dizer , ao dizer que Cristo é nossa justiça, o apóstolo está nos assegurando que temos livre acesso ao Pai; porque os nossos pecados foram expiados por Cristo no calvário.
            A terceira verdade  bíblica que apóstolo ensina é que Cristo “é nossa santificação”; ao declarar, isso ele pretende aclarar as nossas mentes que em nós há somente pecados somos poluídos em nossa natureza pecaminosa; mas, pela graça de Deus, em Cristo,  nascemos de novo  pela ação do Espírito Santo de Deus. E isto para uma vida de Santidade em Cristo Jesus.
            E, por último, aqui Paulo nos ensina que Cristo nos foi dado para a nossa redenção; uma redenção passada, presente e futura. Sim, Cristo é o nosso tudo, fomos redimidos, salvos, e libertados em Cristo Jesus.
            No verso 31 somos inseridos no propósito pelo qual Deus nos deu tudo em Cristo: para que não achemos que tudo o que somos hoje deve-se ao  nosso mérito pessoal.
            Nós não temos nada por causa de nosso esforço, mas simplesmente por causa da vontade de Deus. Não temos uma casa porque o governo nos deu; não temos um emprego porque um amigo nos conseguiu, não, pelo contrário temos tudo isso por causa da bondosa vontade de Deus.
            E assim, em vez de nos gloriarmos em nós mesmos e nos nossos esforços venhamos a nos gloriar em Deus somente! Amém!



domingo, 10 de maio de 2015

1ª Coríntios 1.10-17 - A IGREJA DE DEUS – LIDANDO COM A DIVISÃO

Série de Exposições Bíblicas:
Livro Estudado: 1ª Coríntios
Texto: 1ª Coríntios 1.10-17.
Tema: A IGREJA DE DEUS – LIDANDO COM A DIVISÃO
Expositor: Rev. João Ricardo Ferreira de França.
1ª Coríntios 1.10-17
10 Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. 11 Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. 13 Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio; 15 para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16 Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. 17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.
Introdução:
Agora  Paulo diz que é informado de divisão dentro daquela igreja que ele acabara de agradecer em oração; essa era uma preocupação do coração pastoral de Paulo.
I – EXORTAÇÃO A FAVOR DA UNIDADE (vs.10)
Versículo 10: A primeira palavra do apóstolo é “Parakalw/” - parakalô - o termo é empregado para significar exortação; chamar ao lado de forma particular para repreender, ou para encorajar, aqui o apóstolo exorta os irmãos por meio do nome de Cristo que todos falem a mesma linguagem, tenha a mesma palavra e que uma vez isso estabelecido não deve haver divisões entre eles.
Isto implica que a igreja deveria manifestar a unidade em duas áreas importantes à vida cristã:
(1) Na Palavra: a unidade deve ser manifestada também no discurso que a igreja tem “λέγητε” [falar];
(2) No mesmo pensar: Esta unidade deve ser também intensificada na maneira de pensar da própria igreja; o apóstolo usa a palavra “mente” aqui no texto “νοῒ
A palavra divisão que aparece aqui no texto  “sci,smata” - schimata - é usada para descrever divisões planejadas [esquema]. Antes a atitude da igreja deveria ser a de uma comunidade unida, sem facções, sem divisões. “sejais inteiramente unidos” - kathrtisme,noi– aqui a ideia é de perfeitos, apenas os crentes podem ser considerados um povo perfeito diante de Deus, porque o vínculo disso chama-se unidade no mesmo pensamento e no mesmo parecer.

II – O PORQUÊ DA EXORTAÇÃO À UNIDADE (vs 11)

            Por que Paulo começa este trecho exortando à Igreja a viver em unidade? Qual o motivo que Paulo se interessa por este tema precisamente aqui? E a resposta está no Versículo 11: O santo apóstolo usa a  palavra “pois” esta conjução conclusiva nos informa algo que Paulo tomou por conhecimento. Ele diz que foi informado; a palavra grega usada aqui [“evdhlw,qh”-edêlôthe ] significa “tornar claro”, “fazer conhecido”  Ou seja, Paulo ficou foi prontamente informado de perigo da divisão que a havia dentro da igreja de Corinto.  Aqui se menciona a  “casa de Cloe”. Nada sabemos desta personagem que figura aqui na carta de Paulo aos coríntios. Mas, uma coisa nós temos Plena certeza de que ela conhecia a Paulo e avisou ao apóstolo a respeito das constantes divisões naquela igreja.
            Então, a exortação inicial a respeito da unidade Cristo estava vinculada a uma informação que o apóstolo recebera de alguém que provavelmente frequentava a Igreja e que não estava satisfeita com a divisão constante no seio da igreja; e por isso, recorreu ao apóstolo fundador desta igreja para viabilizar uma solução.

III – A NATUREZA DAS DIVISÕES: (vs.11-17)

1) As divisões tinham caráter partidarista: (Versículo 11-12: )
11 Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo.

A natureza das divisões são bem específicas, promovidas pelo orgulho, pelo senso de superioridade e de partidarismo corrente e crescente entre os crentes. E como era feito este partidarismo? O partidarismo se instala na vida da Igreja quando criamos ídolos. Havia aqueles que diziam ser obedientes a um único apóstolo, e assim, se negavam a seguir o ensino de outro apóstolo. Então, a igreja primitiva viveu uma grande marca de divisão: eu de Paulo, eu de Apolo , eu de Pedro e por fim, o grupo de Cristo.
 Destes grupos o pior era o do Cristo, porque este não se submetia a autoridade eclesiástica alguma. Ou seja, em sua espiritualidade aflorada achavam que o melhor era ouvir o que Jesus tinha a dizer e a ensinar ; e rejeitavam os ensinos apostólicos. Paulo lembra que é exatamente esta atitude que manifesta as divisões dentro da igreja.

2 . Eram divisões que não consideravam a obra redentora de Cristo.
. 13 Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio; 15 para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16 Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. 17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.

Versos 13-17: O apóstolo continua sua tônica a respeito das divisões dentro da igreja de Cristo. Ao perceber a onde de partidarismo dentro da Igreja estava levando os crentes. Então, Paulo faz uma pergunta retórica: “Acaso, está cristo dividido?...”
 O verbo dividir aqui “Meme,ristai”(memeristai) está em um tempo verbal que indica algo completo: Cristo já foi dividido?  Aqui a questão de Paulo claramente intenciona uma resposta negativa; ou seja, Cristo não é a base para haver divisões na igreja.
 Na sequencia do texto  o apóstolo  fala em termos redentivos, questionando se ele foi rasgado ou crucificado em favor daqueles crentes.  Paulo mostra que ele não é redentor do povo da igreja, mas que é apenas um porta-voz , um proclamador.
Ninguém foi batizado em nome de nenhum líder espiritual, pois, isto deturparia o propósito deste sacramento. Paulo parece dirigir-se a um grupo especifico dentro da igreja “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, ”(Vs 14) -  O apóstolo agradecia a Deus exatamente porque não havia batizado muita gente naquela cidade. 
Apenas três nomes figuram sobre o sacramento realizado pelo apóstolo: Crispo, Gaio e Estéfanas (Vs.14-16)Por que tudo isso? Porque Paulo quer deixa bem claro para aqueles crentes que o alvo dele, a finalidade dele é edificar o reino por meio da pregação da palavra (VS.17) esta é a vocação do pastor: pregar a Palavra. Que promove unidade. Paulo aqui quer ser mais específico ele diz que o alvo do ministério dele é a pregação da palavra.  E, assim nos mostra que a cruz de  Cristo é o objetivo divino para as nossas vidas.

Aplicação:
1. Devemos promover a unidade em nossa igreja  Local: Como podemos fazer isso? Aconselhando-nos mutuamente a falar a mesma linguagem, perseguir o mesmo ensino, e ter o mesmo pensamento. A verdadeira unidade está nesta duas coisas importantes: Comunhão de palavras e de Pensamentos.
2 – Quando vemos a divisão tomando conta da vida da igreja devemos ter coragem para buscar ajuda para resolver o problema: Foi exatamente isso que uma família em peso da Igreja fez; eles não podiam por si só promover e estabelecer a concórdia entre os irmãos, então, recorreram ao apóstolo para que ele ficasse ciente do problema e apresentasse uma solução. Nós precisamos ter a mesma coragem caso isso ocorra na igreja de Cristo Jesus.

3 – Devemos acabar com os ídolos de nosso coração: O que promove em muitos casos a desunião na igreja é a nossa atitude idolatra! Nos simpatizamos com alguém, criamos o nossos grupos, chegamos a endeusar pessoas, títulos, posições, e até cobiçamos tais coisas para nós, a custo da verdade e da unidade. Precisamos vigiar o nosso coração, precisamos tratar dele, pois diz a palavra de Deus que é corrupto e corruptor de nossa existência. Lutemos para que a idolatria não aferre de nós, e nos torne presas fáceis à divisão.  

domingo, 22 de março de 2015

OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO REFORMADA

 OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO LITÚRGICA REFORMADA:

Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

            A doutrina dos sacramentos da Igreja Presbiteriana está intimamente ligada à concepção calvinista destes mistérios da salvação. “A teologia sacramental do reformador João Calvino encontra-se principalmente nos capítulos XIV a XIX do livro IV da Instituição da Religião Cristã (Institutas) [...]”[1]. Essa tradição calvinista se faz presente nos símbolos de fé de Westminster que são padrões confessionais da Igreja Presbiteriana.
            O que é um sacramento? O Catecismo Maior responde:

Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]

1 – O BATISMO CRISTÃO:


            O sacramento do Batismo é fundamental na comunidade dos fiéis. Uma vez que ele apresenta a nova perspectiva da vida cristã; pois, este sacramento é “um sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna[3].
            a) Nossa União com Cristo apontada no Batismo:
            O nosso Catecismo tem a definição do batismo como um sinal e selo da aliança para indicar a nossa união com Cristo. Paulo nos ensina isso em Gálatas 3.27 – “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” – então, no ato do batismo em pleno culto público é uma declaração de Deus para conosco de que pertencemos a Cristo e estamos em íntima comunhão com ele.
            b) O Batismo é um sinal e selo das bênçãos salvadoras:
            Todas as bênçãos salvadoras que carecemos são assinaladas e apontadas como uma realidade no sacramento do batismo – ele aponta para tudo aquilo que Cristo fez tais como a remissão dos pecados (Atos 22.16; Marcos 1.4; Apocalipse 1.5); a regeneração produzida pelo Espírito Santo é simbolizada pelo derramar da água do batismo (João 3.5; Tito 3.5).

            c) O Batismo é o selo da admissão na igreja de Deus:
            O catecismo ainda nos diz que este sacramento serve para que os que são batizados sejam “solenemente admitidos à Igreja visível e entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor.” (Atos 2.41)
            e) Os Sujeitos do Batismo:
             O batismo cristão deve ser ministrado aos pais bem como aos filhos. O batismo doméstico deve ser praticado na Igreja de Cristo.  O que labora para a prática do batismo infantil é o testemunho claro das Escrituras sobre  a continuação da aliança (Colossenses 2.11-12); assim, como também a evidência bíblica de batismo de famílias inteiras nas Escrituras (Atos 16.15,33-34). “Deveríamos falar em ‘batismo familiar’ em vez de ‘batismo infantil’”[4]

 

2 – A EUCARISTIA.


            A prática litúrgica na igreja integra o conceito da celebração da eucaristia. O sacramento da Santa Ceia do Senhor, como é conhecido, “é o rito basilar de nossa fé”.[5] A Eucaristia é lembrada como a proclamação visível de Deus ao mundo de sua redenção.
            Mas, o que é a Eucaristia ou Ceia do Senhor? O Catecismo Maior de Westminster na pergunta 168 nos responde:
A Ceia do Senhor é um sacramento do Novo Testamento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Jesus Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam dele, alimentam-se do corpo e do sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns para com os outros, como membros do mesmo corpo místico.

            É a refeição da aliança do povo de Deus (Mateus 26.26-28) apontando para o sofrimento de Cristo e a libertação de seu povo.
            a) As concepções eucarísticas sobre a presença real de Cristo:
1. Transubstanciação: A concepção da Igreja Romana de que o pão e o vinho se transformam no corpo de Cristo literalmente.
2. Consubstanciação: A concepção luterana de que Cristo está no pão e vinho, ou sob, ao lado junto com estes elementos.
3.Concepção Memorial: A concepção zuingliana de que a Santa Ceia é um mero memorial no qual não confere benção alguma.
4. A presença real, porém espiritual: É a posição presbiteriana de que Cristo está presente na eucaristia de forma real porém verdadeira e espiritualmente.
            b) A regularidade da Eucaristia no culto público: Quantas vezes devem ocorrer a Eucaristia na celebração pública? Convencionou-se nas nossas igrejas a celebrar a Ceia do Senhor uma vez por mês, geralmente, no primeiro domingo de cada mês. Muitos procuram justificar isso associando o rito pascal, que era celebrado uma vez por ano, como padrão para ser uma vez por mês. E, historicamente sabemos que Zwínglio reduziu a freqüência da celebração da Ceia do Senhor a quatro vezes por ano – e ainda desvinculou a celebração do dia do Senhor.[6]
            Mas, estudando os dados do Novo Testamento sabemos que a Ceia do Senhor era freqüente na vida litúrgica da igreja primitiva. Em Atos 2.42 nos mostra isso de forma muito clara. “A Ceia era, portanto, celebrada regularmente. Diz também a narrativa, como de passagem, que os irmãos de Trôade, no primeiro dia da semana, estavam ‘reunidos como o fim de partir o pão’ (Atos 20.7)”.[7]
            A vida da igreja era litúrgica e sacramental. É notório que estes textos sempre apresentam o vínculo conectivo entre o “dia do senhor” e o “partir do pão”; então, a celebração deve ser feita no domingo e deve ser regular. Na primeira carta de Paulo aos Coríntios ele mostra que a eucaristia era celebrada regularmente na vida da Igreja (1ª Coríntios 10.16; 11.23-31). No capítulo 11.20 o apóstolo mostrar que ao tratar do tema da profanação da refeição pactual ele mensura a ideia que eles normalmente se reúnem para aquilo. Ele usa o negativo “não é a Ceia do Senhor que comeis”, por causa, da prática pecaminosa deles que acabava por profanar o sacramento regularmente.
            No capítulo 11.24 o conceito de memória é introduzido por Paulo seguindo a tradição de Cristo em Lucas 22.19. A palavra grega “ἀνάμνησιν.” [anamnesin] Carrega o  conceito muito amplo é mais que mera lembrança. A ideia que o conceito encerra é de “tornar presente aquilo que recorda”.[8] Podemos dizer que se trata de uma recapitulação da história da redenção que nos fornece certeza da presença verdadeira de Cristo na celebração litúrgica.

  
REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS:


1.       ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.
2.       GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola.
3.       KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005.
4.       LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
5.       MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999.




* O Autor é Ministro da  Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Estudou no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Hebraico e Grego) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) em Recife – PE. Atualmente é pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Piripiri – Piauí.(www.ipdepiripiri.blogspot.com.br )  É casado e tem um filho.
[1] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.87-88.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Catecismo Maior de Westminster resposta à pergunta 165.
[4] LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.83.
[5] GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola, p.7.
[6] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.86.
[7] ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.

[8] MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999, p.89.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O LÍDER CRISTÃO – O PASTOR DO SEU LAR

LÍDER CRISTÃO – O PASTOR DO SEU LAR.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Salmo didático de Asafe Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca.  Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus.
(Salmos 78.1-8)
Introdução:
            Já temos visto a importância da liderança espiritual no lar, e vimos que o homem cristão te uma enorme responsabilidade sobre os seus ombros como homem protetor e provedor de seu lar.
            Nesta noite temos um grande desafio para cada um de nós. O desafio de pastorear o coração de nossos familiares; pois, muitos de nossos lares estão cheios de impiedade, sem santidade e compromisso com Deus. Isto porque muitos homens não assumem o seu papel no lar de sacerdotes.
            Por outro lado, enfrentamos uma crise litúrgica, pois, muitas de nossas igrejas estão sem adoradores regulares porque falta muita espiritualidade nos lares dos crentes; falta compromisso com Deus e com a sua palavra.
            A igreja precisa de homens que caminhem com Deus, que ame a sua palavra que a tornem o centro de seus lares e a base de suas famílias. É necessário que as famílias resgatem o culto doméstico, pois, como alguém já disse: “uma casa sem culto doméstico não tem alicerce e nem teto”.
            Que tipo de homem Deus quer que você seja no seu lar ou no seu futuro lar? Moças que tipo de homem vocês devem procurar para casar?
I – O LÍDER CRISTÃO DEVE TRAZER A PALAVRA DE CRISTO À SUA FAMÍLIA.
            Uma das principais dos pais em relação ao filho e a esposa é certamente trazer a Palavra de Deus à família; é instruir a sua esposa e seu filho na Palavra do Senhor. É sua responsabilidade purificar a sua mulher pela água da palavra (Efésios 5.26): “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,”  - é responsabilidade ímpar dos maridos ensinarem as suas esposas a Palavra de Cristo; os homens tem essa responsabilidade como sacerdotes do lar de ensinarem pela palavra e com a palavra a vontade de Deus para as esposas.
            Também somos ensinados que, como pais, nós devemos ensinar a lei de Deus com diligência aos nossos filhos para que eles conheçam ao Senhor. (Deuteronômio 6.6-7): “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
            É papel dos pais ensinarem ao seu filho o caminho da santidade e do temor a Deus, pois, devemos inculcar os preceitos de Deus aos nossos filhos! Pois, eles devem ser ensinados “na disciplina e admoestação do senhor” (Efésios  6.4).
            Nós devemos promover a religião familiar no dizer do pastor Puritano Richard Baxter. Pois, muitos homens acham que os pastores é que devem pastorear os seus lares, ensinar a Palavra de Deus as suas mulheres e filhos, todavia, conforme temos, visto esta é uma responsabilidade que recai sobre os ombros dos homens casados e não somente do Pastor. 
II – O LÍDER CRISTÃO DEVE ORAR POR SUA FAMÍLIA E COM ELA.
            Você como pastor do seu lar deve de forma clara orar por sua família e nutrir uma vida de oração com ela. Ser um homem de oração em nossos dias é um grande desafio! Somos uma geração que desaprendeu a orar; não temos mais do quarto secreto da oração.
            Paulo recebeu uma prática salutar de seus pais que era a prática da oração constante, ele manifesta esta verdade ao orar por Timóteo e pela Igreja de Deus conforme ele mesmo diz em 2 Timóteo 1.3: “Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia.” Nós como líderes de nosso lar devemos fazer como fez Jó. 1.1-5:
Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.
            Aqui nós aprendemos algumas verdades importantes:
1.      Jó era um pai preocupado com a espiritualidade dos filhos: O texto nos informa que Jó procurava santificar cada filho; em outras palavras, ele procurava cuidar da alma de seus filhos como um sacerdote do lar.
2.      Ele realizava um culto a Deus com desprendimento: O patriarca levantava-se de madrugada para prestar um culto a Deus, pois, pensava que eles haviam pecado contra o senhor em seu coração; pastorar o coração dos filhos é um papel fundamental dos pais!
III – O LÍDER CRISTÃO DEVE PROCLAMAR A PALAVRA DE CRISTO PARA O SEU LAR.
            Aqui há muita negligencia neste aspecto também. Muitos homens e mulheres são sobejamente injustos com os seus pastores, dizendo que eles não a sua devida atenção ao rebanho, mas George Whitefield alerta-nos para um fato interessante que muitos líderes dos lares de nossa igreja caem na mesma desgraça: “pois, cada casa é uma pequena paróquia, cada chefe de família é como um sacerdote, cada família como um rebanho, e se qualquer um deles perece devido à negligência do líder, das mãos deste ser requerido por Deus o sangue de quem pereceu”.
            Aqui vemos que muitos pais estão negligenciando o principio básico do pastorear as suas próprias famílias e de proclamar para elas a palavra de Cristo. Não trata-se e uma pregação formal, mas do transmitir a fé do passado, observemos o que nos diz o salmista no salmo 78.1-8:
Salmo didático de Asafe Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca.  Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus.

            Os pais (homem e esposa) tem a responsabilidade de passar a diante toda a história da redenção que Deus manifestou ao longo da história; proclamar Cristo no lar é a maior benção que um casal cristão pode receber do seu Senhor e Salvador.